Itabaiana · terça-feira · 20 de outubro de 2026
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Pesquisa com 1.701 indústrias (3 a 12/08/2026) aponta juros como principal obstáculo. 76% citaram problemas em prazos até 5 anos; 69% relataram o mesmo para financiamentos longos.

As taxas de juros seguem como o principal obstáculo para o acesso ao crédito pela indústria, aponta a Sondagem Especial nº 107 — Condições de Acesso ao Crédito em 2026. Cerca de 76% das empresas do setor que tiveram dificuldade para obter crédito de curto ou médio prazo (até cinco anos) indicaram os juros altos entre os principais entraves. Na busca por crédito de longo prazo (acima de cinco anos), a barreira foi mencionada por quase 69% dos empresários.

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A pesquisa consultou 1.701 empresas industriais — 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes — entre os dias 3 e 12 de agosto de 2026. Os dados referem-se aos seis meses anteriores: entre fevereiro e julho de 2026. A queixa quanto à taxa de juros diminuiu em comparação à sondagem anterior, que registrou 80% e 71% como percentuais para curto/médio e longo prazo, respectivamente, mas o custo do crédito permanece como o principal obstáculo apontado pelo setor.

“A Selic iniciou o ano em 15% e, desde então, o Banco Central mantém uma postura bastante cautelosa nesse processo de corte dos juros. É importante lembrar que a queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”, afirmou Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria.

Além dos juros, um terço das empresas (33,4%) que tiveram dificuldade para acessar crédito mencionou as exigências de garantias reais, como bens imóveis, como segundo maior entrave ao crédito de curto/médio prazo. Para operações de longo prazo, esse problema foi apontado por 31,5% dos industriais. A burocracia apareceu como terceiro fator mais citado para curto/médio prazo (13,6%), enquanto para o longo prazo a terceira queixa foi o prazo de carência menor do que o necessário (18,9%).

Metade das empresas não buscou crédito no período avaliado. Em operações de curto/médio prazo, 49,9% não tentaram contratar ou renovar crédito; 22,9% contrataram ou renovaram; e 7,5% tentaram, mas não obtiveram os recursos. Para crédito de longo prazo, 54% não tentaram; 15,5% conseguiram novo financiamento ou extensão; e 9,2% tentaram e não conseguiram.

Entre as empresas que buscaram crédito, a frustração também aumentou em relação ao ano anterior: 24,7% não tiveram sucesso nas operações de curto/médio prazo (ante 20% no ano anterior) e 37,2% fracassaram nas operações de longo prazo (ante 33% anteriormente). As pequenas empresas apresentaram os maiores percentuais de frustração.

Frustração por porte

Curto/médio prazo

  • Pequenas: 32%
  • Médias: 28,4%
  • Grandes: 20,3%

Longo prazo

  • Pequenas: 48,2%
  • Médias: 48,1%
  • Grandes: 29,9%

Os dados também indicam uma possível distorção na saúde financeira do setor. Entre as empresas que buscaram, contrataram ou renovaram crédito de longo prazo, a principal finalidade informada foi o capital de giro (28,7%), à frente de investimentos em máquinas e equipamentos (23,6%) e construção/instalações (11,6%). Entre as empresas de grande porte, houve mudança em relação a 2025: anteriormente 36% apontavam máquinas e equipamentos como finalidade do crédito de longo prazo e 25% citavam capital de giro; agora os percentuais são 25% e 26,7%, respectivamente.

“O capital de giro, em geral, é utilizado para bancar folha de pagamento, compra de materiais, insumos, entre outras despesas do dia a dia das empresas, e já é esperado que elas busquem crédito de curto prazo para essa finalidade. Porém, chama a atenção quando elas procuram crédito de longo prazo para esse fim, porque o crédito de maior maturação costuma servir para financiar investimentos em máquinas, equipamentos e edificações, por exemplo”, afirmou Maria Virgínia Colusso.

Nas operações de curto/médio prazo, quase 60% das empresas apontaram o capital de giro como principal finalidade do crédito. Em seguida vieram investimento em máquinas e equipamentos (13,2%) e investimento em construção/instalações (5,8%).

Alternativas apontadas para melhorar acesso ao crédito

  • Redução de custos tributários e administrativos: 38,4% (curto/médio prazo) e 31,2% (longo prazo)
  • Ampliação das linhas de crédito públicas: 22,8% (curto/médio prazo) e 26,3% (longo prazo)
  • Simplificação das exigências das instituições financeiras: 21,1% (curto/médio prazo) e 22,1% (longo prazo)

Os resultados destacam que, apesar de uma redução relativa na percepção dos juros como principal barreira em relação à pesquisa anterior, o custo do crédito e requisitos exigidos pelas instituições continuam sendo fatores determinantes nas decisões de financiamento das indústrias.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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