Itabaiana · segunda-feira · 28 de setembro de 2026
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Washington e Teerã firmaram acordo histórico com moratória nuclear e livre passagem pelo Estreito de Ormuz. Analistas apontam impacto direto na relação estratégica entre EUA e Israel.

O órgão iraniano responsável pelo Estreito de Ormuz anunciou que não cobrará taxas pelo uso do estreito durante um período de negociação de 60 dias, conforme o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos nesta semana.

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Esse acordo, que inclui uma moratória de enriquecimento de urânio pelo Irã, é considerado um marco nas relações entre Washington e Tel Aviv. Durante uma participação no videocast Fora da Ordem, o analista internacional Lourival Sant’Anna comentou que o acordo representa um divisor de águas na aliança estratégica entre os Estados Unidos e Israel.

“Essa aliança era sustentada pela possibilidade de ambos os países atuarem militarmente juntos contra o Irã — algo que o novo memorando compromete os EUA a não fazer novamente”, afirmou Lourival.

Lourival ressaltou que acompanha a questão nuclear iraniana desde o início do século, tendo realizado várias viagens ao Irã para cobrir o tema. Ele explicou que existe um decreto religioso de Ali Khamenei, que proíbe o Irã de possuir armas nucleares, pois essas são vistas como contrárias ao Alcorão por atingirem civis em massa. Contudo, o país mantinha um programa nuclear subterrâneo que foi descoberto no início dos anos 2000, o que abalou a confiança do Ocidente.

O analista recordou que o acordo de 2015, conhecido como JCPOA, trouxe as inspeções mais rigorosas da história da Agência Internacional de Energia Atômica, garantindo que o Irã possuía apenas 300 quilos de urânio enriquecido a 3,67%, um nível adequado apenas para geração de energia elétrica. Após o rompimento do acordo pelos Estados Unidos em 2018, o Irã começou a enriquecer urânio até 60%, acumulando 441 quilos nesse teor e 11 toneladas em algum grau de enriquecimento, o que fortaleceu sua posição nas negociações atuais.

De acordo com Lourival, o Irã entrou nas negociações em uma posição de força muito maior do que em 2015. “Nesse acordo, nessa negociação, o Irã estava em uma posição de muito mais força do que em 2015”, afirmou.

Ele destacou que o país havia fechado o Estreito de Ormuz e acumulado quantidades significativas de urânio altamente enriquecido, resultando em um acordo muito mais favorável ao Irã. Essa situação gerou descontentamento entre republicanos considerados “falcões” em relação ao Irã e também em Israel.

Embora o Irã tenha concordado em diluir seus 441 quilos de urânio altamente enriquecido e fazer uma moratória de enriquecimento, não abriu mão de sua capacidade de enriquecimento, conforme previsto pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual é signatário. As negociações nos próximos dois meses devem ser desafiadoras, pois abordarão questões fundamentais do programa nuclear iraniano.

O memorando de entendimento estabelece que a soberania do Irã e do Líbano será respeitada, e forças estrangeiras devem ser retiradas das regiões do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Líbano. Para Lourival, essa cláusula tem implicações significativas. “Isso significa o fim da aliança estratégica entre Estados Unidos e Israel, porque essa aliança é baseada na possibilidade, na ameaça de os Estados Unidos se juntarem a Israel para atacar o Irã”, declarou o analista.

Assim, ao assinar o memorando, os Estados Unidos se comprometeram a não realizar mais esse tipo de ação conjunta, o que pode mudar muito estrategicamente no Oriente Médio.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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