Uma operação das forças de segurança do Rio de Janeiro revelou uma suposta rede de lavagem de dinheiro envolvendo facções criminosas brasileiras e a Al-Qaeda, que movimentou mais de R$ 100 milhões. Segundo as investigações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Civil, um grupo atuava como uma “prestadora de serviços” financeira, atendendo ao PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e TCP (Terceiro Comando Puro).
Os agentes identificaram uma possível conexão internacional com a organização terrorista Al-Qaeda. Essa ligação será aprofundada com a análise das provas apreendidas durante a operação. Até o momento, 10 pessoas foram presas e 22 foram denunciadas pelo Ministério Público à Justiça do Rio de Janeiro.
Entre os nomes destacados na lista de denunciados está Bárbara Luzia Souza de Carvalho, considerada uma das operadoras financeiras centrais. Ela teria movimentado dezenas de milhões de reais através de empresas com faturamento incompatível com a capacidade declarada. O grupo também conta com os irmãos Reda, Yasser e Kassem Zayoun, que atuariam na circulação interestadual de recursos ilícitos.
As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada, “laranjas” e depósitos fracionados para ocultar a origem do dinheiro proveniente do tráfico e do comércio de produtos ilícitos. As operações se estenderam por vários estados, incluindo São Paulo e Minas Gerais.
A operação, que recebeu o nome de Hawala, cumpre mandados de prisão e busca e apreensão em diversas localidades. As apurações começaram a partir da atuação do TCP no Complexo de São Carlos, onde foi descoberto que a mesma estrutura financeira era utilizada para lavar dinheiro de outras facções, como o CV e o PCC.
Entre 2021 e 2024, a estrutura movimentou mais de R$ 100 milhões, utilizando dezenas de empresas de fachada para dar aparência legal ao dinheiro proveniente de atividades criminosas. O trabalho investigativo contou com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil.
Além disso, os investigadores identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa que estaria ampliando a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. As operações revelaram também indícios da atuação desses empresários na Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina), uma área historicamente monitorada por organismos de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.
As investigações ainda descobriram uma relação comercial entre uma das empresas dos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), que é parte de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. As apurações seguem em andamento, e o espaço está aberto para manifestações da defesa dos denunciados.
