A recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros foi amplamente repercutida na imprensa internacional. A medida foi oficializada na noite de quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), sob a direção do presidente Donald Trump. A nova taxa entrará em vigor no próximo dia 22 de julho.
A tarifa é resultado de uma investigação realizada pelo USTR, de acordo com a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Essa investigação foi iniciada após Trump ter anunciado, em julho de 2025, uma ofensiva comercial contra o Brasil.
Os produtos que serão afetados pela nova tarifa incluem etanol, açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário. No entanto, o USTR também divulgou uma lista abrangente de itens cruciais para as exportações brasileiras que ficarão isentos da nova cobrança, como carne bovina, café, petróleo e laranjas.
O The New York Times mencionou que a administração Trump acredita que o Brasil “adotou uma série de práticas comerciais injustas contra os Estados Unidos” e analisou que a nova tarifa pode se tornar um tema político no Brasil, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando em outubro.
O jornal ainda destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilizou os membros da família Bolsonaro pela imposição das novas tarifas, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O NYT informou que Eduardo fez um intenso lobby junto a Trump no ano anterior, tentando pressionar o Brasil a desistir de um processo contra seu pai.
O jornal britânico The Guardian também trouxe à tona as declarações de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, que atribuiu a culpa a Lula e seu governo, afirmando que “não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé”.
Além disso, o The Guardian observou que os Estados Unidos mantêm, há anos, um superávit no comércio de bens com o Brasil. Por sua vez, o jornal francês Le Monde ressaltou que, com a nova tarifa, “o Brasil se torna o primeiro alvo dos Estados Unidos”. O veículo ainda mencionou a viagem de Flávio Bolsonaro a Washington, onde participou de uma audiência pública do USTR sobre o assunto, aproveitando a oportunidade para afirmar que as novas tarifas poderiam beneficiar o atual presidente de esquerda, que é candidato à reeleição.
