Itabaiana · quarta-feira · 30 de setembro de 2026
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O Dia de São João é celebrado em 24 de junho, mas as festas juninas começam muito antes e continuam ao longo do mês, se estendendo até julho em várias regiões do Brasil. Durante esse período, fogueiras, bandeirinhas, quadrilhas e comidas típicas enchem praças, escolas e parques, mantendo viva uma das tradições mais queridas do país.

A centralidade de São João nas celebrações, que antes eram chamadas de “joaninas”, tem raízes na tradição católica europeia, principalmente a portuguesa.

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“Ele era associado à fertilidade da terra, à alegria da chegada do verão no hemisfério norte e ao senso de comunidade no campo”,

afirma Ana Beatriz Dias Pinto, doutora em Teologia e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Essas festividades têm origens que remontam a tempos anteriores ao catolicismo. Na Europa pré-cristã, povos como celtas e nórdicos celebravam o solstício de verão, agradecendo pela renovação da vida após o inverno. Com a chegada do cristianismo, a Igreja incorporou essas comemorações ao calendário religioso.

“Essas celebrações pagãs foram gradualmente associadas a santos populares”,

destaca Dias Pinto.

Os portugueses trouxeram essas festas ao Brasil durante o período colonial, mesclando-as com os costumes indígenas e africanos, resultando em uma manifestação cultural única, que ressignificou os símbolos religiosos em expressões festivas genuinamente brasileiras.

São João Batista é o personagem bíblico que inspirou as festas juninas, especialmente a do dia 24 de junho, quando se comemora seu nascimento. Ele é uma figura central do Novo Testamento, filho de Isabel e Zacarias e, conforme a tradição, primo de Jesus. O simbolismo entre João e Jesus é profundo, onde João anuncia a chegada do Messias e realiza o batismo de Cristo, considerado um momento crucial na narrativa cristã.

“A tradição cristã conta que Isabel teria acendido uma fogueira para avisar Maria que João havia nascido”,

explica Estevam Machado, doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

As datas dos nascimentos de João e Jesus estão separadas por seis meses, coincidindo com os solstícios de verão e inverno no hemisfério norte, fazendo com que a festa de São João também dialogasse com rituais antigos relacionados à terra e à renovação da vida, que foram posteriormente incorporados ao calendário cristão.

Além de ser o precursor do Messias, João Batista é reconhecido pela prática do batismo.

“Foi ele quem anunciou o Messias e batizou Cristo no rio Jordão”,

diz Luiz Antonio Simas, escritor e autor do livro Santos de Casa: Fé e festas de cada dia.

A história de São João, entretanto, termina de maneira trágica. O santo foi preso e executado após criticar abertamente o relacionamento entre Herodes Antipas e Herodíades. De acordo com relatos, a filha de Herodíades, Salomé, fez uma dança para Herodes e, a pedido da mãe, exigiu a cabeça de João numa bandeja, selando seu martírio. A narrativa também aponta que os envolvidos na trama enfrentaram destinos igualmente trágicos, conforme profecias feitas por João.

As festas juninas passaram a homenagear também Santo Antônio e São Pedro, devido ao calendário litúrgico católico. Cada um tem seu dia comemorativo em junho: Santo Antônio no dia 13, São João no dia 24 e São Pedro no dia 29.

“Santo Antônio é conhecido como santo casamenteiro. São João, como o santo da terra e da colheita, e São Pedro, padroeiro dos pescadores e guardião das chaves do céu”,

explica Dias Pinto.

Com o passar do tempo, as festas se adaptaram ao contexto local, incorporando novos elementos e transformando-se em grandes eventos urbanos, especialmente a partir das décadas de 1970 e 1980, quando gestores municipais começaram a enxergar o São João como uma ferramenta de desenvolvimento cultural e turístico.

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