A Geração Z tem demonstrado um forte desejo de trabalhar em empregos que ajudem outras pessoas e promovam um impacto positivo na sociedade. De acordo com uma pesquisa realizada pela Gallup, em parceria com a Walton Family Foundation e o Making Caring Common Project da Universidade Harvard, quase 80% dos jovens dessa geração nos Estados Unidos manifestaram interesse em carreiras voltadas para o cuidado e assistência ao próximo.
Katherine Senseman, consultora de pesquisa da Gallup, destacou que, em tempos em que a solidão e problemas de saúde mental estão em evidência para a Geração Z, os dados revelam um anseio por ajudar os outros e encontrar significado na vida. O estudo, intitulado “Gallup Voices of Gen Z”, mostra uma correlação significativa: entre aqueles que desejam causar um impacto positivo, 89% afirmaram que suas vidas têm sentido.
“Ajudar os outros é bom para nossa saúde mental, e muitos integrantes da Geração Z carecem de significado e propósito, o que realmente não é bom para a saúde mental”, afirmou Richard Weissbourd, diretor do Making Caring Common Project.
A pesquisa também trouxe à tona as barreiras enfrentadas por essa geração em busca de significado. Como nativos digitais, eles estão cientes de sua relação com a tecnologia, e mais da metade mencionou o uso improdutivo das telas como um obstáculo para uma vida plena. Além disso, quase 50% reconheceram ter problemas de saúde mental e 34% apontaram a falta de relacionamentos pessoais como um fator que contribui para essa sensação de falta de propósito.
Embora empregos voltados para o cuidado possam ajudar a superar algumas dessas barreiras, a pesquisa revelou que muitos jovens têm preocupações em relação à remuneração e ao bem-estar pessoal. Quase metade dos entrevistados expressou que a baixa remuneração e o alto estresse de funções voltadas ao cuidado os desestimulam a buscar essas oportunidades. Eles buscam empregos que proporcionem um equilíbrio entre satisfação pessoal e uma remuneração adequada.
Além disso, a pressão para encontrar um propósito na vida pode ser avassaladora. Mais da metade dos jovens da Geração Z afirmou sentir estresse devido à pressão para realizar conquistas, especialmente entre aqueles com idades entre 19 e 21 anos. Weissbourd observou que a busca por conquistas está interligada à busca por um significado: “Se você tem um propósito para isso, é provável que tenha uma saúde mental melhor”.
Por outro lado, quando questionados se aceitariam um emprego mais bem remunerado em detrimento de um trabalho significativo, quase metade respondeu que sim. Contudo, se a questão financeira não fosse um problema, a maioria indicou que preferiria permanecer em um emprego que lhes proporcionasse satisfação pessoal. Mais da metade dos jovens da Geração Z classificou a realização no trabalho como uma de suas principais prioridades, e 25% disseram que ajudar os outros é sua prioridade máxima.
“Esta é uma história de oportunidade”, destacou Anthony Burrow, professor da Cornell University. “Quando apresentada a uma oportunidade de fazer algo com propósito, essa geração geralmente responde: ‘Eu quero fazer isso’”.
Burrow encorajou gestores de contratação e educadores a reconhecerem essas tendências e ajustarem suas abordagens para atender às aspirações dessa geração. Isso pode incluir a adição de informações sobre iniciativas comunitárias nas descrições de vagas de emprego ou a implementação de programas nas escolas que explorem carreiras que proporcionem um senso de propósito.
