Itabaiana · terça-feira · 22 de setembro de 2026
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O campo brasileiro enfrenta crise silenciosa: jovens abandonam a agricultura e o setor perde profissionais qualificados. Com 5 milhões de propriedades rurais, o desafio é urgente.

A escassez de mão de obra qualificada e as dificuldades na sucessão familiar estão entre os principais desafios que o agronegócio brasileiro enfrenta atualmente. Em um setor que se torna cada vez mais tecnológico, competitivo e dependente de gestão profissional, manter os jovens no campo se torna uma questão estratégica não apenas para as propriedades rurais, mas para toda a cadeia produtiva de alimentos.

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Dados do último Censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o Brasil possui cerca de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários e mais de 15,1 milhões de pessoas ocupadas no setor. Deste total, 77% das propriedades são classificadas como de agricultura familiar. No entanto, entre 2010 e 2022, o país perdeu aproximadamente 4,3 milhões de moradores em áreas rurais, evidenciando o avanço do êxodo rural e a dificuldade de renovação geracional.

Em Santa Catarina, um dos estados mais relevantes para a produção de aves e suínos no Brasil, a situação é ainda mais preocupante. Um levantamento do Sebrae-SC, com base em dados da Secretaria da Fazenda estadual, indica que, entre mais de 321 mil produtores rurais ativos, apenas um em cada dez apresenta indícios de continuidade familiar na atividade.

“O agro é uma fortaleza para o nosso negócio. Mas hoje temos menos mão de obra disponível, uma dificuldade maior de retenção de pessoas no campo e um ambiente muito mais complexo de gestão. Precisamos preparar esse empreendedor rural para lidar com mais tecnologia, mais indicadores e mais exigências do mercado”, afirma José Antônio Ribas Junior, diretor-executivo de Agropecuária da Seara.

O executivo ressalta que o desafio vai além da sucessão patrimonial, sendo necessário preparar uma nova geração de gestores rurais capazes de administrar propriedades que funcionam cada vez mais como empresas. “Uma propriedade de aves e suínos é uma empresa rural de alta densidade financeira. Queremos ajudar os jovens a assumirem esse legado de forma estruturada e profissional”, destaca Ribas.

Diante desse cenário, a JBS, por meio da Seara, lançou o programa Jovem SuperAgro, que visa capacitar produtores rurais entre 18 e 30 anos para assumir a gestão das propriedades familiares integradas à companhia. A primeira edição do programa conta com 60 participantes, divididos em duas turmas no Oeste de Santa Catarina e no Norte do Rio Grande do Sul, e terá duração de 18 meses, com mais de 100 horas de capacitação.

Os temas abordados incluem gestão financeira, planejamento estratégico, liderança, gestão de pessoas, sucessão familiar, tecnologia aplicada ao agro, sustentabilidade e desenvolvimento pessoal. A adesão ao programa superou as expectativas, com quase 150 candidatos disputando as 60 vagas oferecidas.

“Nós imaginávamos que seria um desafio preencher as vagas, mas aconteceu exatamente o contrário. Tivemos muito mais interessados do que esperávamos. Isso mostrou que existe uma demanda reprimida por qualificação e preparação para a sucessão familiar”, comenta Ribas.

Um diferencial do programa é a participação conjunta de pais e filhos no módulo inicial, que é focado na sucessão familiar. “Trabalhamos tanto a preparação dos jovens quanto das famílias, já que muitas vezes a sucessão acontece de forma pouco estruturada”, explica o executivo.

Para a nova geração, a tecnologia se destaca como um dos principais fatores para atrair e manter jovens no meio rural. Maicon Toffoli, produtor de suínos e participante do programa, destaca a importância da inovação para a eficiência e competitividade da propriedade. “Hoje a tecnologia é muito avançada. Temos sistemas, sensores e controles que facilitam o manejo e permitem acompanhar tudo pelo celular ou computador”, afirma.

Maicon, junto com seu pai, Larri Toffoli, participa da gestão de uma propriedade que abriga mais de 2 mil suínos. “Todo conhecimento que chega para agregar faz diferença. Minha expectativa é adquirir conhecimentos aplicáveis ao dia a dia da propriedade e contribuir para o crescimento do negócio da família”, conclui.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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