O comandante do Exército reforçou que as Forças Armadas devem respeitar o equilíbrio entre os Poderes, sem interferir em disputas institucionais. A declaração foi feita durante o WW Talks, fórum sobre Defesa nacional.
O comandante do Exército brasileiro, general Tomás Paiva, destacou que as Forças Armadas não devem interferir no equilíbrio entre os Poderes da República, mesmo em momentos de crise. Ele afirmou:
“O problema institucional é da nossa democracia, do sistema de freios e contrapesos, e não somos nós que vamos resolver esse problema institucional. Nós somos participantes disso.”
A declaração foi feita durante sua participação no WW Talks, que nesta edição discutiu temas estruturais relacionados à Defesa do Brasil. Paiva ressaltou que os militares têm se mantido firmes à Constituição durante os episódios políticos mais desafiadores desde a redemocratização do país. Ele afirmou:
“Então a gente enxerga que o sistema constitucional de freios e contrapesos é capaz de resolver as crises institucionais que historicamente nós já tivemos graves. Tivemos impeachment de presidente e seguimos a Constituição por duas vezes.”
O general também mencionou outras crises institucionais, afirmando que, apesar das dificuldades, a postura das Forças Armadas se manteve respeitosa à legalidade. Ele declarou:
“Tivemos outras crises institucionais, vivemos uma crise institucional na transição — não foi crise institucional, mas mantivemos a postura.”
Desde que assumiu o comando do Exército no início de 2023, Tomás Paiva tem enfatizado a importância da defesa da legalidade, da disciplina militar e da subordinação das Forças Armadas ao poder civil.
“Esse compromisso com a ordem democrática é um valor muito importante para que o Estado brasileiro encontre, dentro da sua Constituição e dentro do seu sistema de freios e contrapesos constitucional, as soluções para as crises institucionais que porventura possamos vir a ter.”
O WW Talks é uma série de episódios mensais que busca aprofundar a análise de movimentos que moldam o Brasil e o mundo, trazendo diferentes perspectivas sobre decisões políticas e econômicas em nível nacional e global. Nesta edição, também participaram Thais Heredia, Caio Junqueira e Silvio Cascione, diretor da consultoria Eurasia no Brasil.
