Itabaiana · quarta-feira · 07 de outubro de 2026
⏱ 3 min de leitura

Um estudo recente do Center for Retirement Research (CRR), do Boston College, indica que trabalhadores com 55 anos ou mais, em profissões mais expostas à inteligência artificial (IA), estão saindo do emprego com maior frequência desde o lançamento do ChatGPT. O aumento no desemprego, em vez de aposentadoria, sugere que essas pessoas estão fora do mercado e ainda em busca de novas oportunidades de trabalho.

A pesquisa, liderada pelo economista Geoffrey Sanzenbacher, analisou dados da Current Population Survey, uma pesquisa mensal do governo dos Estados Unidos que calcula o desemprego, em conjunto com o índice de exposição à IA do Digital Planet Initiative, da Universidade Tufts. Este índice não mede se uma profissão está em risco de extinção, mas sim até que ponto suas tarefas podem ser realizadas por inteligência artificial.

Publicidade

Entre as profissões mais expostas, destacam-se web designers, desenvolvedores web, arquitetos de banco de dados, programadores e cientistas de dados. Por outro lado, operadores de mineração, cuidadores e pintores estão entre as funções menos expostas.

A pesquisa compara o período anterior ao lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, com os anos seguintes. Os dados mostram que os trabalhadores em profissões mais expostas à IA, que eram predominantemente brancos e possuíam, em média, mais do que o dobro de chance de ter diploma universitário, ganham em média US$ 1,4 mil por semana. Isso contrasta com a média de US$ 869 dos trabalhadores em funções menos expostas.

Antes do lançamento do ChatGPT, esse grupo de trabalhadores permanecia empregado por mais tempo, resultado esperado para funções menos desgastantes fisicamente e mais bem remuneradas. Contudo, após novembro de 2022, essa vantagem começou a se reduzir. A taxa de saída do emprego entre trabalhadores expostos à IA cresceu o suficiente para diminuir a diferença que antes os favorecia.

Os dados também mostram variações significativas entre profissões. Por exemplo, pintores, com baixa exposição à IA, apresentaram um aumento de cerca de 2% na taxa prevista de saída do emprego. Já programadores, que estão no topo da lista de exposição, tiveram um aumento superior a 25%, com a taxa saltando de 8,7% para 11,1%. Contadores e auditores registraram um aumento de 22%, de 9,9% para 12,1%.

Sanzenbacher menciona três possíveis explicações para esse fenômeno. O primeiro é a substituição direta do trabalhador por automação, que pode levar ao desemprego. O segundo é a pressão para aprender novas tecnologias; muitos trabalhadores, próximo do fim da carreira, preferem deixar seus empregos a se adaptar a novos sistemas. O terceiro caminho sugere que ganhos de produtividade poderiam elevar salários e permitir que os trabalhadores se dediquem a tarefas mais estratégicas, prolongando suas carreiras.

Atualmente, a adoção de IA generativa entre trabalhadores mais velhos ainda é baixa, com apenas 18% dos profissionais entre 50 e 64 anos utilizando a tecnologia, uma taxa significativamente inferior à de trabalhadores mais jovens. Uma pesquisa da AARP revelou que 18% dos trabalhadores acima de 55 anos veem a IA apenas como uma oportunidade, enquanto 28% a consideram exclusivamente uma ameaça.

Redação
ESCRITO POR
Redação

Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

10393 artigos publicados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🔔

Quer receber as notícias em primeira mão?

Notificações das principais notícias de Sergipe direto no seu navegador — sem spam.