Um estudo divulgado no dia 21 de julho de 2026 pelo Banco Central revelou que a combinação do baixo desemprego, a inércia inflacionária e a desancoragem das expectativas são fatores que explicam o desvio da inflação dos serviços subjacentes em relação ao centro da meta estabelecida pela autoridade monetária.
O assessor do departamento econômico do Banco Central, Thiago Trafane Oliveira Santos, autor do estudo, observa:
“Os resultados sugerem que a inflação do núcleo Ex3 Serviços encontra-se acima do nível compatível com a meta de inflação, em linha com seus fundamentos: um mercado de trabalho aquecido e níveis de inflação passada e esperada acima da meta de 3%.”
A inflação de serviços subjacentes é um indicador importante para o Banco Central, uma vez que reflete a sensibilidade da atividade econômica e do mercado de trabalho em relação à política monetária. O estudo utilizou dados mensais de dezembro de 2001 a maio de 2026 para analisar o impacto do mercado de trabalho, das expectativas e da inércia inflacionária sobre o núcleo Ex3 Serviços do IPCA, que mede a inflação subjacente desse grupo com base na curva de Phillips.
As estimativas excluem os efeitos da pandemia de covid-19, que poderiam distorcer a série histórica. De acordo com Trafane, a inflação subjacente de serviços começou a aumentar a partir de meados de 2024 e se estabilizou em cerca de 6% ao ano desde o ano anterior. Essa taxa está 2 pontos percentuais acima da chamada “meta ajustada” do grupo, que é de 4%, considerando ainda que o Ex3 Serviços tende a ficar 1 ponto acima da meta de inflação.
O pesquisador aponta que a elevação da taxa de inflação dos serviços é parcialmente resultado da diminuição da taxa de desemprego, que não provoca uma aceleração ou retração da inflação, conceito conhecido como Nairu (Natural Rate of Unemployment). Este “desemprego de equilíbrio”, que era de 9% a 10% até meados de 2007, aumentou para 11% até o fim de 2015 e, em maio de 2026, caiu para 7,2%, o menor nível registrado na série histórica.
Em suas considerações, o assessor do Banco Central destaca:
“O hiato do desemprego é estimado em -1,8 ponto, sendo possível descartar um hiato neutro ou positivo ao nível de 90% ou mesmo de 95%, uma vez que o intervalo de confiança de 95% – entre 5,41% e 9,09% – se encontra integralmente acima da taxa de desemprego observada no mês (5,38%).”
Esses dados refletem uma tendência preocupante em relação à inflação e ao mercado de trabalho, indicando que a situação econômica do país continua a ser monitorada de perto.
