Itabaiana · quarta-feira · 04 de novembro de 2026
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Estudo da UFMG no The Lancet Regional Health mostra que a obesidade em maiores de 25 anos passou de 7,8% para 27,7% entre 1990 e 2023. Especialistas alertam: além de perder gordura, é vital preservar músculos.

A prevalência de obesidade no Brasil mais que triplicou entre 1990 e 2023, passando de 7,8% para 27,7% da população com 25 anos ou mais, segundo estudo da série Carga Global de Doenças (GBD) conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais e publicado em setembro deste ano na revista The Lancet Regional Health – Americas. O crescimento identificado reforça a necessidade de ampliar estratégias de prevenção e enfrentamento da doença.

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Entre 17 países latino-americanos analisados, o Brasil apresentou o maior aumento da prevalência de obesidade no período estudado. Dados do Ministério da Saúde, por meio do sistema Vigitel, indicam que cerca de 25,7% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, o que equivale a aproximadamente uma em cada quatro pessoas. No caso de crianças e adolescentes, o cenário também exige atenção: estimativas do Atlas Mundial da Obesidade apontam que 177 milhões de pessoas entre 5 e 19 anos viveriam com a doença em 2025.

A discussão sobre prevenção e tratamento ressalta o papel da atividade física na promoção da saúde e na redução de complicações associadas ao excesso de gordura corporal. O profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício, Jauan Anselmo, avalia que o enfrentamento da obesidade precisa ir além de medidas pontuais de emagrecimento e que a prevenção passa pela incorporação de hábitos saudáveis desde a infância, pelo acesso à prática regular de exercícios e por estratégias individualizadas.

“Isso é uma questão de saúde que não pode ser tratada apenas pela aparência ou pelo número que aparece na balança, agora é preciso olhar para os hábitos alimentares, nível de atividade física, qualidade do sono e histórico de saúde. O exercício físico, especialmente quando bem orientado, é uma ferramenta importante tanto na prevenção quanto no tratamento, mas precisa fazer parte de uma estratégia consistente, possível de manter”.

Na avaliação do especialista, um erro comum no processo de emagrecimento é priorizar a perda rápida de peso sem considerar o que está sendo eliminado. Dietas muito restritivas, especialmente quando não são acompanhadas por treinamento de força, podem levar à redução da massa muscular além da perda de gordura. Um estudo publicado em 2017 no The American Journal of Clinical Nutrition (AJCN) aponta que a restrição calórica pode resultar em perda significativa de massa magra, podendo representar, em contextos de emagrecimento agressivo, entre 25% e 33% do peso perdido, dependendo da estratégia adotada e das características individuais.

Jauan Anselmo chama atenção para o fato de que a queda no número da balança não garante que a gordura esteja sendo reduzida na proporção desejada e lembra que a perda excessiva de massa muscular compromete força e capacidade funcional. Para ele, o foco deve ser a melhora da composição corporal, com redução de gordura e preservação da musculatura.

“A pessoa pode até ver o peso baixar rapidamente, mas isso não significa necessariamente que esteja perdendo gordura na proporção desejada. Quando há perda excessiva de massa muscular, o organismo também perde força e capacidade funcional, por isso o objetivo deve ser melhorar a composição corporal, reduzindo a gordura e preservando a musculatura”.

A massa muscular é importante para mobilidade, força, autonomia e gasto energético, e sua preservação é relevante tanto para quem busca perder peso quanto para quem precisa prevenir ou controlar a obesidade. Nesse contexto, o treinamento de força, como a musculação, combinado a uma alimentação adequada, contribui para preservar a massa magra durante a perda de gordura.

A ingestão de proteínas deve ser ajustada às necessidades individuais, considerando peso, idade, rotina de exercícios e condições de saúde, preferencialmente com orientação de um nutricionista. Jauan reforça que a musculação não serve apenas para estética, mas é uma ferramenta de saúde que deve integrar estratégias de prevenção e tratamento da obesidade, respeitando as condições de cada pessoa.

A prevenção também envolve fatores sociais e ambientais que influenciam hábitos de vida. Entre crianças e adolescentes, estimular brincadeiras ativas, esportes, deslocamentos a pé quando possível e reduzir o tempo sedentário pode contribuir para rotinas mais saudáveis. Famílias, escolas e políticas públicas têm papel fundamental para ampliar oportunidades de movimento desde os primeiros anos.

Para adultos, o ponto de partida não precisa ser uma rotina intensa: frequência e intensidade podem aumentar gradualmente conforme capacidade física e orientações profissionais. O especialista destaca que não existe uma fórmula única e que planos devem ser individualizados, com metas viáveis e continuidade para que mudanças se sustentem na vida real. O tratamento da obesidade, diz ele, exige acompanhamento multiprofissional e integração da atividade física com demais medidas de saúde.

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