A superioridade militar dos Estados Unidos não é suficiente para subjugar o Irã. Apesar do grande desequilíbrio de poderio bélico entre os dois países, a escalada do conflito enfrenta barreiras políticas, morais e a percepção do eleitorado americano. Esses fatores, segundo análises, limitam de forma decisiva as opções de Washington.
O analista internacional Lourival Sant’Anna, durante o videocast Fora da Ordem, comentou que o próximo passo em termos de ataques aéreos poderia envolver a destruição das usinas de dessalinização e de eletricidade que abastecem a população iraniana. Essa possibilidade, no entanto, chegou a ser mencionada, mas foi descartada diante de um limite moral autoimposto.
“O presidente Trump chegou a mencionar essa possibilidade e sempre recuou, dizendo que isso seria um limite”, afirmou Lourival.
Para Lourival, a guerra é, acima de tudo, um evento político. Todas as escolhas militares e suas consequências estão inseridas em uma moldura política que não pode ser ignorada. Ele destacou que a decisão de ir à guerra é uma decisão política, assim como a escolha de atingir alvos civis.
“A decisão de ir à guerra é uma decisão política, a decisão de atingir alvos civis também”, ressaltou.
O analista lembrou que, ao longo da história, decisões como o bombardeio de Berlim pelos aliados na Segunda Guerra Mundial e o uso da bomba atômica pelo governo americano foram julgadas sob critérios morais. Assim, a questão não é a capacidade de devastar o Irã, mas como o eleitorado americano julgará as atitudes tomadas no conflito.
Diversas ações recentes já contribuíram para drenar o chamado soft power americano, e os efeitos dessas decisões reverberam ao longo dos anos. Em relação à popularidade do presidente Donald Trump, o analista sênior Américo Martins adicionou que parte da motivação para buscar um acordo com o Irã está diretamente ligada à perda dessa popularidade. Trump foi amplamente criticado nos EUA por ter iniciado o conflito sem um planejamento adequado e, segundo muitos analistas, sob influência do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
“A ditadura no Irã continua dando as cartas por ali”, concluiu Martins.
A importância do Estreito de Ormuz para a economia global também é um fator crucial a ser considerado nessa relação complexa.
