Itabaiana · quinta-feira · 24 de setembro de 2026
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O setor de energia lidera o mercado de fusões e aquisições no Brasil. Em 2025, o país movimentou US$ 50 bilhões em negócios, com energia elétrica, saneamento e óleo e gás na dianteira.

O mercado de fusões e aquisições (M&As) no Brasil deverá ser impulsionado principalmente pelo setor de energia nos próximos anos. Essa é a avaliação de Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB, que ressalta a importância desse segmento tanto para investidores locais quanto estrangeiros.

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De acordo com Brito, o segmento de “power and utilities”, que inclui energia elétrica, saneamento e óleo e gás, representou cerca de 40% do total de fusões e aquisições no Brasil na última década. “Em 2025, tivemos por volta de US$ 50 bilhões em M&As no país, e o setor de energia, abrangendo power and utilities e óleo e gás, contabilizou 40% desse montante, algo em torno de R$ 120 bilhões”, explicou durante o programa Alta Voltagem.

O executivo acredita que a relevância do setor é sustentada pela presença de grandes grupos internacionais, como Iberdrola, Enel, EDF, EDP, State Grid e China Three Gorges (CTG), juntamente com empresas brasileiras como Eneva, Áxia (antiga Eletrobras) e Equatorial.

Em 2026, a expectativa é de que a atividade no setor continue aquecida, envolvendo não só fusões e aquisições, mas também operações de mercado de capitais e financiamentos. “Os números de 2026 em relação a 2025 mostram transações significativas, tanto em fusões e aquisições quanto em equity e capital markets”, acrescentou.

Brito destaca que, apesar de alguns desafios relacionados à volatilidade jurídica e cambial, o Brasil mantém-se como um destino atrativo para investidores estrangeiros. “O Brasil é uma geografia relevante e previsível, mas com alguma volatilidade, especialmente do ponto de vista jurídico e de câmbio”, disse.

Entre os segmentos com maior potencial, as hidrelétricas devem continuar atraindo investidores, devido à previsibilidade operacional e ao histórico confiável da tecnologia. Recentemente, a EDP vendeu três hidrelétricas, enquanto a Engie aprovou uma oferta de ações para adquirir parte da hidrelétrica de Jirau.

No setor de óleo e gás, movimentos recentes, como a aquisição do controle da Brava pela Ecopetrol e a compra da operação da Raízen na Argentina pela Mercuria, demonstram que o mercado permanece dinâmico, mesmo diante do cenário global do petróleo.

O setor de saneamento também deverá apresentar forte atividade nos próximos anos. Brito menciona que o Brasil possui um volume significativo de investimentos contratados e um ambiente favorável para novos projetos. “Temos aproximadamente R$ 900 bilhões em saneamento contratados para os próximos seis ou sete anos e o nível de penetração ainda é baixo nesse subsegmento”, destacou.

Fatores como a disponibilidade de financiamento, apoio governamental e um ambiente regulatório fortalecido tornam o setor ainda mais atrativo para investidores. “Os bancos estão dispostos a financiar o subsegmento, e existe um suporte governamental, além de um ambiente regulatório mais robusto”, finalizou.

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