O fim do suporte de software para a primeira geração do Apple Watch Ultra, lançada em setembro de 2022, marca o encerramento do ciclo de atualizações do dispositivo em quatro anos. Essa decisão resulta de limitações estruturais de processamento, já que o hardware do relógio utiliza núcleos baseados em gerações anteriores de processadores de smartphones. Isso interrompe a compatibilidade com as versões do sistema operacional watchOS.
O modelo foi projetado com chassi de titânio e tela de safira, visando resistência física e durabilidade para atividades esportivas extremas. Contudo, o término do suporte lógico evidencia que a vida útil do aparelho é determinada pelo cronograma de software da fabricante, e não pela qualidade dos materiais utilizados.
Conforme apontado por Adriano Ponte, apresentador, o modelo possui um “hardware perfeitamente capaz”, mas a interrupção dos pacotes de atualização atua diretamente como a “data de morte do dispositivo”.
A falta de atualizações do sistema impacta o funcionamento de aplicativos de terceiros desenvolvidos para o relógio. Ferramentas como mapas, plataformas de streaming de música e softwares de monitoramento esportivo dependem da evolução dos níveis de API (Interface de Programação de Aplicação) exigidos pelas lojas virtuais. À medida que os desenvolvedores atualizam seus códigos para sistemas operacionais mais recentes, dispositivos que permanecem em versões anteriores perdem a sincronização com os telefones atualizados.
Além da perda de conectividade com serviços externos, a mudança no status do software altera a política de manutenção do produto. Com isso, o relógio é classificado como dispositivo vintage e, posteriormente, obsoleto. Essa classificação encerra a obrigatoriedade de fornecimento de componentes de reposição nas assistências técnicas oficiais da marca.
Adriano Ponte destaca que “esse selinho de software novo software velho implica também no hardware ser atendido depois de algum tempo pela própria Apple”.
A estratégia de descontinuação lógica gera discussões sobre as metas ambientais da corporação, que enfatiza o uso de materiais reciclados e a neutralidade de resíduos em suas linhas de produção. A redução do ciclo de utilidade de um aparelho operacional contrasta com as práticas de economia circular. Adriano Ponte afirma: “O dispositivo que foi anunciado com essa promessa verde viola o primeiro princípio de sustentabilidade que é reutilizar”.
Com isso, a longevidade dos dispositivos vestíveis continua a depender do suporte lógico da fabricante.
