As músicas que acompanham a Copa do Mundo têm um papel importante na cultura do torneio. Entre os grandes sucessos, destacam-se “La Copa de la Vida”, de Ricky Martin, e “Waka Waka”, de Shakira, que se tornaram ícones e representam a memória de edições anteriores do Mundial. Nos últimos anos, a Fifa tem investido mais em música e entretenimento, trazendo artistas como Anitta, Tyla e Daddy Yankee para tentar captar a atenção do público jovem. No entanto, apesar desses esforços, a criação de um novo hino que tenha o mesmo impacto cultural que os sucessos do passado continua sendo um desafio.
Um exemplo dessa nova abordagem é a canção “Dai Dai”, que passou a integrar o repertório oficial da Fifa. Em vez de focar em uma única música, a entidade está trabalhando com diversas faixas e artistas, buscando uma variedade que reflita a diversidade do futebol moderno. O jornalista e criador de conteúdo Cristóvão Vieira comenta que a dificuldade está em produzir uma composição que consiga se conectar verdadeiramente com a identidade do futebol.
“Acho que foi realmente a falta de produzir uma composição de força, de peso mesmo, algo que tenha algum tempero, algum molho”, afirmou o jornalista. Ele destaca que uma música no nível de “Waka Waka” ainda teria grande aceitação, aparecendo em comerciais e nas ruas.
Segundo Vieira, os grandes hinos de Copa se destacam porque conseguem unir produção musical com elementos culturais que o público reconhece. Ele menciona que músicas como “La Copa de la Vida” e “Waka Waka” incorporaram referências latinas e africanas, respectivamente, criando uma conexão emocional com os torcedores.
Outra questão levantada é que nem sempre a música mais lembrada durante a Copa é a oficial. “Love Generation”, de Bob Sinclar, é um exemplo disso, associada ao Mundial de 2006 apesar de não ser a canção escolhida pela Fifa. Isso ocorre porque o futebol costuma gerar seus próprios símbolos, com músicas que emergem naturalmente das arquibancadas.
“É muito mais uma coisa que surge de dentro para fora, algo que surge das arquibancadas de maneira natural”, destacou Cristóvão, citando o impacto dos cânticos de torcidas brasileiras que viralizam mundialmente.
No Brasil, a CBF também busca criar uma identidade musical para a Seleção, lançando “Bate no Peito” com artistas populares. No entanto, Cristóvão ressalta a importância de ouvir o público e entender suas preferências para que a música realmente ressoe com os torcedores.
Além disso, a influência da cultura de arquibancada brasileira já começa a se espalhar para outros países, como exemplificado pela torcida da Holanda que adotou “Magalenha”, de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, durante a Copa. Isso mostra que o estilo de torcer do Brasil está deixando uma marca significativa na forma como o futebol é celebrado ao redor do mundo.
