Itabaiana · terça-feira · 22 de setembro de 2026
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A chamada superquarta chega com analistas sem consenso sobre o rumo dos juros. Inflação desancorada e pressões externas formam tempestade perfeita para o Banco Central.

Às vésperas da superquarta dos juros, economistas observam um cenário macroeconômico que parece não oferecer alívio para o Banco Central brasileiro. A expectativa é de um pequeno corte na Selic, de 0,25 ponto percentual, que deve se concretizar nesta quarta-feira. Contudo, essa não é uma opinião unânime entre os analistas do mercado financeiro, que estão divididos sobre a possibilidade de que o Copom encerre antes o atual ciclo de afrouxamento das taxas.

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O grande desafio para o Banco Central é a combinação de fatores que resultam em uma “tempestade perfeita”. As expectativas de inflação desancoradas, uma política fiscal expansionista e eventos climáticos extremos são preocupações que se destacam. Essa análise foi realizada por economistas durante o evento “Oportunidades de Investimento no Brasil e no mundo”, promovido pela Inter Asset.

“A inflação está desancorada. Teremos um IPCA acima de 5% para este ano e, em 2027, as expectativas já estão desancoradas. Nenhum país consegue fazer o ambiente de negócio ser competitivo nesse patamar”, destacou Alexandre Silvério, CEO e CIO da Tenax Capital.

Gustavo Pessoa, sócio fundador da Legacy Capital, mencionou a existência de uma “disputa” entre a política monetária e a política fiscal. Segundo ele, enquanto o Banco Central busca uma inflação na meta de 3%, a política fiscal parece estar operando com uma meta de 5%. Além disso, os efeitos de um projeto que altera a escala 6×1 também foram citados por Pessoa, que acredita que essa mudança pode elevar os custos para o setor produtivo.

“[A PEC] tira a flexibilidade do mercado de trabalho. Num primeiro momento, a renda fica bem, mas depois vai aumentar o desemprego e a informalidade, e piorar a oferta de serviços por parte das empresas. Isso também desancora a expectativa de inflação”, afirmou.

Pessoa ainda comentou que a mudança já está sendo considerada nas projeções macroeconômicas do mercado financeiro. O Boletim Focus, que divulga as expectativas para o IPCA e os juros, indicou uma nova alta nas expectativas de inflação, agora estimando um índice de 5,30% para 2026. Economistas consultados pelo Banco Central também elevaram a previsão para a taxa Selic, projetando-a em 13,75% para este ano, o que sugere um espaço menor para a continuidade do ciclo de cortes pelo Copom.

Um dos principais fatores que pressionam o IPCA são os alimentos. Em maio, o grupo de alimentos registrou a maior alta para o mês em 18 anos, refletindo na inflação geral, que atingiu a maior taxa para maio desde 2021. Com a expectativa da ocorrência do fenômeno El Niño, os economistas preveem uma piora nesse indicador, especialmente para produtos in natura, como frutas e legumes, que devem sofrer com a produção prejudicada.

O dilema da política monetária não é exclusividade do Brasil. O Federal Reserve também enfrenta desafios semelhantes, considerando a tensão no Oriente Médio e dados de atividade econômica aquecida nos Estados Unidos. Ian Lima, gestor de portfólio de renda fixa na Inter Asset, destacou o elevado nível de investimentos direcionados para inteligência artificial e construção de data centers, que já estão pressionando os preços nos EUA. Segundo Gustavo Pessoa, a inteligência artificial já representa cerca de 1% da inflação americana, enquanto o mercado prevê que a taxa de juros do Fed permaneça inalterada.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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