Itabaiana · sexta-feira · 02 de outubro de 2026
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O consumo de feijão no Brasil diminuiu pela metade nos últimos 50 anos. Nos anos 1970, cada brasileiro consumia, em média, 23 quilos do grão anualmente, enquanto atualmente esse número não ultrapassa 12 quilos por ano. Essa redução é resultado de mudanças nos hábitos alimentares e dos desafios enfrentados na produção.

O presidente do Ibrafe (Instituto Brasileiro dos Feijões e Pulses), Marcelo Lüders, comentou sobre a situação e destacou que é fundamental oferecer produtos de melhor qualidade. Além disso, ele enfatizou a importância de reforçar o valor do feijão para as futuras gerações.

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“Ninguém, quando é contatado sobre esse assunto, responde que não gosta de feijão. As pessoas gostam, porém têm dificuldades, falta de tempo e falta de praticidade”,

disse Lüders durante uma entrevista ao CNN Agro News nesta quinta-feira (2). Ele acredita que a praticidade e a educação alimentar podem ser caminhos eficazes para reverter essa queda no consumo.

Para Lüders, é importante oferecer o feijão de maneira mais acessível e prática. “A gente não pode esquecer que o feijão pode estar sendo entregue para a população pronto, existem outras receitas que podem ser feitas”, afirmou. Ele também mencionou que a concorrência com produtos industrializados representa um desafio significativo para o setor, sendo necessário discutir essa questão junto à sociedade e à academia para, primeiramente, estancar a queda e, em seguida, aumentar o consumo.

No que diz respeito à produção, o feijão carioca é predominante, mas enfrenta problemas, pois quando há sobra no estoque, não há consumo. Lüders destacou que esse tipo de feijão é popular apenas no Brasil e não é conhecido mundialmente.

“Quando o feijão carioca sobra no estoque, não há consumo. Essa modalidade é popular apenas no Brasil, o mundo não conhece o feijão carioca”,

acrescentou. O setor está explorando a possibilidade de introduzir variedades que são consumidas em outros países, como o feijão mungo verde e o feijão guandu, conhecidos na Índia como pigeon pea, que já estão sendo exportados em grandes quantidades.

Em 2025, o Brasil exportou mais de 200 mil toneladas de feijão para a Índia, atingindo um recorde total de mais de 500 mil toneladas exportadas.

Lüders também enfatizou a importância de informar os consumidores sobre a origem e as variedades do feijão, pois isso pode ajudar a valorizar o produto. Ele mencionou o conceito de terroir, que é a influência do solo e da região no sabor do grão, como um diferencial ainda pouco explorado no país.

“Nem todo feijão preto tem o mesmo sabor”,

ressaltou, destacando as diferenças entre as variedades desenvolvidas por diferentes instituições de pesquisa. Para ele, assim como ocorreu com o café, o vinho e os queijos, quanto mais informações o consumidor tiver sobre a história e a origem do alimento, maior será o seu interesse.

“Eu acredito que há um caminho muito interessante para ser seguido, é possível reverter isso, desde que exista mobilização”,

enfatizou Lüders.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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