O parecer, aprovado por unanimidade nesta segunda (24/8), aponta apurações sobre a gestão do ex-dirigente. Documento segue para o Conselho Deliberativo, que terá a decisão final.
A situação de Julio Casares no São Paulo ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (24/8). A Comissão de Ética e Disciplina do clube aprovou, por unanimidade, um parecer que recomenda a expulsão do ex-presidente do quadro associativo. O documento foi encaminhado ao Conselho Deliberativo, que terá a decisão final sobre a permanência do ex-dirigente.
Comissão de Ética
- Luiz Braga
- Mario Celso Braga
- Milton José Neves Junior
- José Edgard Galvão Machado
- Fabio Cesar de Souza Azambuja
O parecer aprovado pela comissão considera apurações sobre a gestão do ex-dirigente, que esteve à frente do clube entre 2021 e 2026. A recomendação tem como base possíveis irregularidades administrativas e financeiras atribuídas ao período em que Casares comandou o São Paulo. Investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo também envolveram o ex-presidente, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e a exploração clandestina de um camarote no Morumbis.
Casares teve a oportunidade de apresentar sua defesa em audiência realizada em 31 de julho, mas não compareceu acompanhado de seus representantes. Com o prosseguimento do procedimento, a Comissão de Ética enquadrou o caso no parágrafo 8º do artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo.
Artigo 38 / Não será aceito pedido de demissão do Quadro Associativo, quando o Associado for objeto de procedimento administrativo disciplinar, até a conclusão de tal procedimento, bem como não será permitida sua inclusão como dependente de outro Associado
Além da recomendação de expulsão, a comissão sugeriu que Casares ressarcisse o clube por eventuais despesas particulares realizadas com cartão corporativo e solicitou indenização com base no artigo 11 do estatuto. Informações divulgadas anteriormente indicaram que o ex-presidente teria utilizado cerca de R$ 1 milhão do cartão do clube para gastos pessoais.
As apurações começaram a ganhar força no fim de 2025, após denúncias sobre a comercialização irregular de ingressos para eventos em um camarote do Morumbis. Outros nomes ligados à gestão foram mencionados nas investigações e chegaram a ser expulsos pelo Conselho Deliberativo.
Relatórios do Coaf apontaram movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo Casares, incluindo depósitos em dinheiro que totalizariam R$ 1,5 milhão entre janeiro de 2023 e maio de 2025. As autoridades também identificaram 35 saques em dinheiro das contas do clube entre 2021 e 2025, somando R$ 11 milhões. A defesa do ex-presidente negou irregularidades.
Em julho, Casares renunciou à posição de conselheiro e à condição de associado; na ocasião, afirmou ter sido alvo de perseguições, ataques pessoais e disputas políticas. Ele também havia deixado a presidência do clube em janeiro deste ano, antes de uma votação de impeachment que poderia afastá-lo definitivamente.
O parecer da Comissão de Ética tem caráter recomendatório. Agora, o caso deverá ser levado ao plenário do Conselho Deliberativo, que poderá aprovar ou rejeitar a proposta, além de apresentar votos divergentes. A eventual expulsão, portanto, ainda não está definida e dependerá da análise e da votação dos conselheiros.


