Um estudo recente analisou os restos mortais de dois membros da família Médici e trouxe novas evidências que questionam a teoria de que eles teriam sido envenenados. As análises de DNA revelaram a presença de malária nos corpos do Grão-Duque Francesco I de’ Médici (1541–1587) e do Cardeal Giovanni de’ Médici (1543–1562).
Publicada pela revista Science em junho de 2026, a pesquisa identificou seis espécies de Plasmodium, os protozoários responsáveis pela malária, nas amostras analisadas. Essa descoberta é significativa, pois fornece uma nova perspectiva sobre a saúde da elite europeia durante o Renascimento.
A família Médici, que governou Florença e a Toscana entre 1434 e 1737, teve grande influência na Europa, com quatro papas provenientes de seu clã, como Leão X e Clemente VII, e laços matrimoniais com outras famílias reais.
O estudo também destacou que o Plasmodium falciparum, o protozoário mais letal causador da malária, é transmitido por mosquitos do gênero Anopheles. Acredita-se que essa espécie tenha se espalhado por conta das migrações humanas, mas a sua chegada à Europa ainda é incerta.
No passado, a malária foi mencionada por Hipócrates e Celso, que associaram a doença a febres periódicas e fraqueza. Durante a Idade Média, a malária se tornou endêmica na Itália e só foi erradicada na década de 1950 na Toscana, após campanhas de controle.
O estudo foi inovador, pois os pesquisadores extraíram DNA de restos ósseos preservados em condições favoráveis nas Capelas Médici. A análise de quatro amostras de costela revelou a presença de Plasmodium spp. nos restos mortais, com quantidades menores no Grão-Duque.
A cepa encontrada no Cardeal pode ter derivado de uma linhagem que já circulava na Itália, com registros que datam de séculos antes de sua morte. As mortes dos dois irmãos, que ocorreram em um curto intervalo, levantaram suspeitas de envenenamento, mas a nova evidência sugere que a malária foi a verdadeira causa.
A malária, embora erradicada na Europa, continua a ser um problema global, especialmente na África subsaariana e em outras regiões, com milhões de casos reportados anualmente. A identificação de uma cepa histórica proveniente do Renascimento italiano aumenta o conhecimento sobre a diversidade de cepas circulantes na época.
