O diretor Christopher Nolan acredita que a inteligência artificial (IA) terá um papel fundamental no futuro do cinema, embora ele não veja a tecnologia como uma substituta para o trabalho humano e a criatividade artística.
Vencedor do Oscar com o filme Oppenheimer (2024), Nolan destaca que a discussão sobre IA deve focar mais na responsabilidade de quem utiliza a tecnologia do que no medo de que ela possa substituir os profissionais da área.
Conhecido por obras como Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), A Origem (2010) e Dunkirk (2017), o cineasta afirma que seu estilo de cinema, que envolve grandes orçamentos, efeitos práticos e filmagens em locações reais, continuará a existir mesmo com o avanço das tecnologias.
Durante a divulgação de sua nova adaptação do épico grego A Odisseia, que estreará no Brasil na próxima quinta-feira (16), Nolan comentou, em Paris, sobre a relação ambígua que a sociedade possui com a IA.
“O interessante sobre a IA é que nunca vi uma tecnologia ser adotada com tanto sucesso por Wall Street, investidores e empresas de tecnologia, mas rejeitada de forma tão contundente pelo público.”
O diretor observa que há uma resistência popular crescente à IA, especialmente entre os mais jovens, que popularizaram o termo “AI slop”, usado para descrever o grande volume de conteúdos genéricos e de baixa qualidade gerados por IA e disseminados nas redes sociais. Sobre essa questão, Nolan comenta:
“Os jovens, em particular, criaram o termo ‘AI slop’. Existe uma espécie de desprezo por tudo o que envolve IA.”
Apesar das críticas, a IA já se encontra presente em diversas áreas, como aplicativos corporativos, mecanismos de busca e assistentes virtuais. No entanto, sua aplicação nas indústrias criativas, incluindo cinema, música e artes visuais, continua a gerar preocupações e debates.
Profissionais do setor temem que a automação possa reduzir as oportunidades de trabalho ou ser utilizada para substituir processos criativos humanos. Nolan, por sua vez, enxerga a IA como uma ferramenta complementar.
Ao discutir o impacto da tecnologia no cinema, Nolan expressou sua expectativa de que a IA possa desenvolver recursos que ampliem as possibilidades visuais, mas reiterou sua crença de que ela não substituirá a criatividade humana:
“Acho que a ideia de que ela substituirá completamente os seres humanos e a criatividade humana é, para mim, um absurdo.”
É importante lembrar que o diretor já havia manifestado preocupações semelhantes durante o lançamento de Oppenheimer, comparando os debates atuais sobre IA aos alertas feitos por cientistas que contribuíram para o desenvolvimento de armas nucleares.
A Odisseia marca o retorno de Nolan à produção cinematográfica tradicional e adapta para o cinema o poema épico atribuído a Homero, que é uma das obras fundamentais da literatura ocidental. A história segue a jornada de dez anos do herói Odisseu em busca de retornar para casa após a Guerra de Troia, enfrentando episódios clássicos da mitologia grega, como o encontro com o Ciclope e as Sereias.
Com um orçamento estimado em R$ 1,3 bilhão, o filme foi rodado em várias locações ao redor do Mediterrâneo, seguindo a preferência de Nolan por sequências filmadas com elementos práticos, sem depender exclusivamente de ambientes digitais. O elenco conta com grandes nomes, como Matt Damon, que interpreta o protagonista, além de Zendaya, Tom Holland, Robert Pattinson, Anne Hathaway e Lupita Nyong’o.
O trailer de A Odisseia já está disponível para os fãs do diretor e do épico literário.
