Assistir a um videoclipe já foi um grande evento, uma experiência coletiva que envolvia a curadoria de editores. Após a escola, a expectativa para ver sua banda favorita na televisão era palpável. No entanto, com a evolução digital, esse hábito foi sendo substituído por algoritmos que sugerem e organizam as músicas de acordo com o que o usuário já consome.
Em contraste com essa realidade, Chinaina acredita que o videoclipe ainda possui uma grande importância. O que se perdeu, segundo ele, foi o espaço na televisão. Foi dessa percepção que surgiu o programa Caça Joia Clipes, exibido no Canal Futura e no Globoplay. Com uma proposta clara, o programa visa dar visibilidade a artistas independentes, trazendo-os de volta à telinha.
A primeira temporada do programa conta com 13 episódios e apresenta mais de 170 artistas e bandas de todo o Brasil, resultado de uma curadoria feita com mais de 4 mil videoclipes recebidos. Juntamente com a diretora e curadora Pamella Gachido, Chinaina assistiu a todos os clipes com um olhar atento e uma missão clara: dar espaço a quem merece ser ouvido.
“Quando eu mando meu som para alguém, eu espero que essa pessoa escute. Então, a escuta tem que ser verdadeira”, afirma Chinaina.
Em uma conversa sobre o mercado musical atual, ele discute o impacto de priorizar números em detrimento do talento. Chinaina reflete sobre o que se perde quando a música independente só recebe atenção após romper bolhas estabelecidas há anos.
Chinaina também compartilha sua visão sobre a importância de ver um videoclipe na TV, especialmente para aqueles que cresceram assistindo à MTV. Para ele, devolver esse espaço aos artistas independentes é fundamental. Ele menciona que, apesar de muitas pessoas acharem que a era dos videoclipes acabou, a produção continua a crescer, e a necessidade de material visual se tornou crucial para os artistas.
“O Caça Joia devolve um pouco o lugar onde o videoclipe tem que estar, que é na TV”, explica Chinaina.
O programa representa uma forma de retribuição à música, um agradecimento pelo que a música fez por ele. Chinaina, que também já passou pela experiência de ser um artista pouco conhecido, sente um prazer especial em dar visibilidade a novos talentos. Ele enfatiza a importância de ouvir a cena independente e compartilhar essas vozes com o público.
Chinaina expressa sua preocupação com o uso de algoritmos e inteligência artificial para determinar o sucesso de um artista. Ele acredita que isso pode ser prejudicial à música, pois ignora o talento, que não pode ser previsto por máquinas. Para ele, o Caça Joia é uma oportunidade de cultivar novos talentos, plantando sementes para que possam crescer e florescer na indústria musical.
