A caneta emagrecedora iniciou seus testes oficiais no SUS, visando pacientes com obesidade grave no Rio Grande do Sul. O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (26) um projeto-piloto que irá monitorar 250 pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde ao longo dos próximos dois anos.
A proposta tem como objetivo avaliar os efeitos da semaglutida, a substância presente nas canetas emagrecedoras, no tratamento da obesidade dentro da realidade do SUS. Os pacientes que participam do estudo já são acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição e apresentam obesidade grave ou associada a outras condições de saúde, como doenças cardíacas e hipertensão. Vale destacar que muitos destes pacientes possuem indicação para cirurgia bariátrica.
Em comparação de custos, uma cirurgia bariátrica pode variar entre R$ 20.000 e R$ 60.000, incluindo todo o atendimento médico e hospitalar. Por outro lado, o preço das canetas emagrecedoras varia de R$ 1.300 a quase R$ 4.000 por mês, dependendo da medicação e da dosagem prescrita.
No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS decidiu não incluir a semaglutida e a liraglutida na rede pública devido ao alto impacto financeiro. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que a incorporação desses medicamentos poderia gerar um custo anual de cerca de R$ 8 bilhões.
O estudo visa entender a viabilidade da medicação como uma alternativa para o tratamento da obesidade em larga escala no Brasil. Durante o projeto, os pesquisadores irão monitorar diversos indicadores de saúde dos pacientes, incluindo: perda de peso, melhora da qualidade de vida, resultados clínicos, condições pós-operatórias e o impacto financeiro do tratamento no SUS.
Os pacientes selecionados para o estudo precisam atender a alguns critérios, como ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses, apresentar falha em tratamentos convencionais (como dieta e atividade física), já serem acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição e ter a capacidade de aplicar a medicação sozinhos ou com a ajuda de um cuidador.
A semaglutida pertence à classe dos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. Apesar da crescente popularidade, o custo ainda representa um grande obstáculo para a incorporação definitiva ao SUS. No entanto, o novo projeto-piloto pode abrir portas para novas estratégias no combate à obesidade no Brasil, uma condição que afeta milhões de pessoas e está ligada a diversos problemas de saúde.
