Na quarta (21), a Escola Municipal Juan Antonio Samaranch recebeu ex-jogadoras da seleção na abertura do projeto. Mais de 100 alunas ouviram histórias, fizeram perguntas e participaram de um minitorneio.
Na tarde da última quarta-feira (21), a Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, recebeu ex-jogadoras da seleção brasileira feminina em atividades que marcaram a abertura do programa Pioneiras nas Escolas. O campo ficou tomado por garotas: quatro times disputaram um minitorneio enquanto os meninos acompanhavam das arquibancadas.
Antes do torneio, mais de 100 alunas lotaram o auditório para ouvir, fazer perguntas e tirar fotos com Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins — conhecidas como Caju, Fia e Pelezinha. As ex-atletas relembraram trajetórias, falaram sobre dificuldades enfrentadas e deram conselhos sobre esporte e educação.
Ao relatar o período em que jogou, Fia falou sobre o ambiente machista que encontrou e como a confiança no próprio talento a ajudou a superar obstáculos.
“Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo.”
Fia, hoje com 62 anos, ficou cinco anos na seleção, foi tricampeã continental e disputou a primeira Copa e a primeira Olimpíada da seleção feminina.
A ex-zagueira Caju, de 60 anos, também falou sobre provocações recebidas durante partidas e sobre a reação do grupo diante das ofensas.
“Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol.”
“Aquelas palavras mexiam com nosso ego, e a gente queria, mais e mais, mostrar que mulher sabe jogar futebol.”
Caju atuou na seleção entre 1988 e 1999, com 43 jogos e 34 vitórias, e atualmente trabalha como árbitra de partidas.
As ex-jogadoras informaram às alunas fatos sobre a história do futebol feminino no Brasil: de 1941 a 1979, o Decreto-Lei 3.199 proibiu a prática do futebol para mulheres; a liberação ocorreu em 1979 e a regulamentação só veio em 1983. A primeira seleção brasileira feminina participou de uma competição experimental em 1988, na China. A primeira Copa do Mundo feminina aconteceu em 1991, também na China, e o futebol feminino estreou nas Olimpíadas em 1996, em Atlanta.
O programa Pioneiras nas Escolas é coordenado por Duda Luizelli, ex-jogadora que também vestiu as camisas do Internacional, do Milan e do Verona. Duda ressaltou a importância da educação para quem tem carreira esportiva.
“O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade.”
A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro é parceira do projeto. A escola Juan Antonio Samaranch é classificada desde 2012 como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), oferece ensino integral e tem cerca de 600 estudantes entre 11 e 15 anos, além de treinadores em 19 modalidades. O projeto foi iniciado durante a preparação para a Rio 2016 e é tratado como legado olímpico; atualmente a cidade possui 12 GEOs.
A coordenadora de Projetos Integradores da Secretaria Municipal de Educação destacou a relação do projeto com a preparação da cidade para ser uma das sedes da Copa do Mundo feminina, que ocorrerá entre junho e julho de 2027:
“É muito importante que a gente já esteja se preparando para esse momento e, mais do que isso, se preparando dentro do nosso primeiro ginásio olímpico, que é muito importante para nossa rede.”
Alunas valorizaram a experiência. Nicoly Melo, de 12 anos, expressou surpresa com a proibição histórica do esporte às mulheres:
“Por que não podiam?”
Letícia Pereira, aluna do 9º ano, de 15 anos, chamou de privilégio receber as ex-jogadoras e disse que a visita reforçou a ideia de que o esporte pode abrir caminhos:
“Meu pai me leva lá, eu fico lá torcendo.”
A atividade combinou prática esportiva, histórias de vida e informações históricas, com foco em motivar as alunas a acreditar nas próprias capacidades e a valorizar a formação escolar como complemento à carreira esportiva.
