Pelo 15º ano seguido, o Brasil ocupa o último lugar no ranking de retorno de impostos à população. Com carga tributária de 32,32% do PIB, o país cobra como nação desenvolvida, mas entrega muito menos.
O Brasil permanece na última posição entre os 30 países com maior carga tributária do mundo, segundo a 15ª edição do IRBES (Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade), elaborado pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação). Este é o 15º ano consecutivo em que o país apresenta esse desempenho insatisfatório.
O levantamento, que analisa a relação entre a arrecadação de impostos e o retorno desses recursos à população, revela que a carga tributária brasileira alcançou 32,32% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2024. Este percentual é semelhante ao de países desenvolvidos, mas o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil ficou em 0,760, resultando em um IRBES de apenas 142,46 pontos.
O estudo atribui um peso de 15% à carga tributária e 85% ao IDH na avaliação dos resultados. De acordo com o IBPT, esse desempenho indica que os recursos arrecadados não estão sendo aplicados de forma eficiente. A análise critica a situação ao afirmar que, apesar da carga tributária elevada, o desenvolvimento humano no Brasil é considerado precário.
“Apesar de termos uma carga tributária alta, digna de países desenvolvidos, como Reino Unido, França e Alemanha, o IDH nacional reflete um desenvolvimento humano muito precário”, destaca o estudo.
A Irlanda ocupa a primeira posição do ranking pelo sétimo ano consecutivo, com um IRBES de 170,37 pontos. A lista é liderada por países como Suíça, Coreia do Sul, Estados Unidos e Austrália, que também apresentam melhores índices de qualidade de vida em relação à carga tributária.
Entre os países sul-americanos, o Uruguai se destaca na oitava posição, enquanto a Argentina aparece em 13º lugar. O IBPT reforça a necessidade de melhorar a eficiência dos gastos públicos e a transparência na aplicação dos recursos arrecadados.
“Certamente, se existisse uma melhor aplicação das receitas públicas oriundas dos tributos, isso se refletiria em um bem-estar social muito mais elevado”, conclui o instituto.
