Itabaiana · domingo · 04 de outubro de 2026
⏱ 3 min de leitura

O Brasil enfrenta um desafio significativo no armazenamento de sua safra de grãos, conseguindo estocar apenas cerca de metade do que é produzido. Em contraste, os Estados Unidos possuem uma capacidade de armazenamento que equivale a 150% de sua produção, com mais de 65% dos silos localizados nas propriedades rurais. No Brasil, a capacidade disponível nas fazendas representa apenas 17% do total, o que eleva os custos logísticos e dificulta o escoamento da produção.

Esses dados fazem parte do relatório “Retrato da Logística de Grãos do Brasil”, elaborado pela nstech, a maior empresa de software para supply chain da América Latina. O relatório utiliza informações da Esalq-Log, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Ministério dos Transportes, analisando a dinâmica da matriz de transportes e destacando a tecnologia como um vetor central de competitividade no setor.

Publicidade

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos deve alcançar 356,3 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, um volume recorde devido ao aumento da produtividade e da área cultivada. Contudo, o déficit de armazenagem força muitos produtores a transportarem suas colheitas imediatamente, sobrecarregando as rodovias e aumentando os custos de frete. Isso também limita a capacidade dos agricultores de escolher o melhor momento para comercializar seus grãos.

O levantamento aponta que o transporte rodoviário continua a ser o principal modal para o escoamento de grãos no Brasil. Em 2023, as estradas foram responsáveis por 69% do transporte da soja, enquanto as ferrovias e hidrovias representaram 22% e 9%, respectivamente. A expectativa é de uma leve mudança nessa distribuição nos próximos anos, com as ferrovias aumentando sua participação para 25% em 2025, mas o transporte rodoviário ainda será responsável por cerca de dois terços da movimentação da safra.

Essa concentração no transporte rodoviário resulta em altos custos logísticos e pressiona a frota de caminhões durante o período de colheita. Thiago Cardoso, diretor de Agronegócio da nstech, destaca que a predominância desse modal expõe ineficiências, com um excedente estimado de 70 mil caminhões em rotas de longa distância. Para enfrentar esses desafios, Cardoso ressalta que a agenda ESG e a digitalização se tornaram pré-requisitos comerciais, não mais diferenciais.

Especialistas sugerem que aumentar a rede de armazenagem é uma das principais ações para melhorar a eficiência da logística agrícola no Brasil. Com uma maior capacidade de estocagem, os produtores poderão distribuir o transporte ao longo do ano, reduzir filas em armazéns e portos e comercializar sua produção em momentos mais favoráveis em termos de preços.

Redação
ESCRITO POR
Redação

Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

10251 artigos publicados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🔔

Quer receber as notícias em primeira mão?

Notificações das principais notícias de Sergipe direto no seu navegador — sem spam.