Itabaiana · domingo · 27 de setembro de 2026
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O Brasil ocupa agora o 65º lugar entre 70 economias no Ranking Mundial de Competitividade 2026. Juros altos, burocracia e déficits educacionais explicam o recuo, segundo especialistas.

A queda do Brasil no Ranking Mundial de Competitividade de 2026 reflete desafios estruturais persistentes, como o elevado custo para fazer negócios, as altas taxas de juros e deficiências na educação, na avaliação de especialistas.

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O país caiu sete posições, passando a ocupar a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas, registrando seu pior desempenho nos últimos anos. Essa nova posição coloca o Brasil ao lado de economias como Nigéria, Mongólia e Venezuela. O Ranking Mundial de Competitividade 2026 é elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral.

“O custo de se fazer negócios no Brasil é um dos principais desafios, dificultando a operação tanto de indústrias quanto de empresas nascentes”, afirma Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral.

Outro ponto crítico destacado é a formação bruta de capital fixo. Tadeu observa que indústrias que pretendem ampliar sua capacidade produtiva enfrentam o custo de capital, que atua como um limitador ao crescimento.

O aumento do endividamento corporativo também é um sinal de alerta. Atualmente, as empresas têm recorrido cada vez mais a dívidas para sustentar suas estratégias de expansão.

“O relatório não deve ser lido sob uma perspectiva de ‘terra arrasada’. Ele deve servir como ponto de partida para identificar quais medidas o Brasil precisa adotar para avançar na agenda de competitividade”, sugere Tadeu.

Em entrevista ao CNN Money, Carla Beni, conselheira do Corecon-SP, afirmou que a queda no ranking reflete problemas estruturais. Ela destacou que o elevado custo do capital, as altas taxas de juros e as dificuldades para investir impactam diretamente a competitividade do país. Além disso, obstáculos históricos, como a barreira linguística e deficiências na educação financeira da população, também foram mencionados.

O relatório indica piora em quatro pilares: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. Carla Beni também relacionou a trajetória recente da taxa Selic a esse cenário. Durante a pandemia, a taxa chegou a 2% ao ano, mas subiu para 13,5% em apenas 18 meses. Nesse período, as empresas utilizaram crédito barato, mas após a crise, tiveram que renegociar dívidas com juros muito mais altos.

Esse aumento do endividamento e da inadimplência teve impacto direto na capacidade de investimento do setor produtivo. A especialista também ressaltou o peso do serviço da dívida pública nas contas do governo, onde cerca de 46% do orçamento é destinado ao pagamento de juros e amortizações da dívida, enquanto apenas 0,3% vai para ciência e tecnologia.

Apesar do desempenho negativo no ranking, o Brasil ainda apresenta vantagens competitivas, como a capacidade de atrair investimento estrangeiro e o potencial em energias renováveis. Além disso, a boa colocação em subsídios públicos, onde o Brasil ocupa a quinta posição, é um ponto positivo. Carla também destacou os avanços na educação financeira, que agora integra o currículo das escolas públicas e privadas. Embora os efeitos ainda não sejam visíveis no curto prazo, a expectativa é que essa mudança contribua para formar uma população mais preparada financeiramente e gere impactos positivos na competitividade do país nos próximos anos.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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