O país despencou para o 65º lugar entre 70 economias no Ranking Mundial de Competitividade 2026. Queda de 0,5% na produtividade agrava cenário e acende alerta para a economia brasileira.
O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral. A nova classificação foi divulgada na última quinta-feira (18), e o país ocupa agora a 65ª posição entre 70 economias avaliadas, marcando o pior desempenho em anos recentes.
A principal razão para essa queda foi a baixa produtividade, um desafio crônico da economia brasileira. Um levantamento do FGV Ibre indicou uma queda de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre deste ano, reforçando uma tendência preocupante que se estende por décadas. Indicadores que medem horas trabalhadas e a população ocupada mostraram avanços modestos de 0,5% e 0,4%, respectivamente.
“Hoje falamos muito sobre Inteligência Artificial, por exemplo, mas temos uma defasagem de engenheiros no país, o que dificulta o crescimento deste segmento”, comentou Gilvan Bueno, colunista do CNN Money.
De acordo com Bueno, o Brasil investe muito pouco em educação em comparação a outras nações do ranking. Ele destacou que o país destina apenas 5% do seu PIB (Produto Interno Bruto) à educação, enquanto a Suíça, que ocupa a 3ª posição, investe um valor significativamente maior. “Isso impõe desafios a empresas posicionadas no país de criar produções e achar mão de obra qualificada”, acrescentou.
O especialista também observou que a estrutura da economia brasileira é um fator que explica essas dificuldades, com cerca de 70% do PIB sendo composto pelo setor de serviços, enquanto a indústria representa apenas 5%. Além disso, muitos empregos estão concentrados em atividades de baixa remuneração.
Carla Beni, do Corecon-SP e professora da FGV, apontou que o alto custo de capital, especialmente a taxa básica de juros, a Selic, é um entrave significativo para a competitividade brasileira. “A taxa de juros dificulta investimentos e inclusive deixou o Brasil num patamar mais baixo em relação até às próprias empresas, porque faz com que elas invistam menos”, explicou.
Beni citou que a Selic, que foi cortada em 0,25% na quarta-feira (17), ainda se encontra em um patamar preocupante de 14,25%. “Temos uma taxa Selic desde 2022 e uma taxa real de mais de 9%. Este é o ponto central que inviabiliza as empresas e as famílias”, afirmou, destacando que 81,6% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida e a inadimplência atinge 50,5% da população adulta do país.
