Itabaiana · terça-feira · 15 de setembro de 2026
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No novo trabalho, o trio de Uberaba amplia a sonoridade e avança em propostas políticas e musicais. Premiada e presente em grandes festivais, responde às críticas com consistência e atitude.

Ao longo dos últimos anos, o Black Pantera se tornou um dos nomes mais importantes da cena rock nacional, conquistando prêmios e espaço em grandes festivais. Algumas más línguas afirmam que esse sucesso é fruto de lacração ou de interesses da indústria, mas a obra da banda de Uberaba (MG) responde a essas críticas com consistência artística.

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Com quatro álbuns de estúdio e um EP publicados até agora, o trio formado por Charles Gama (vocais, guitarra), Chaene da Gama (vocais, baixo) e Rodrigo Pancho (bateria) consolidou uma sonoridade característica que convive com sua veia política antirracista. Essa combinação tem atraído atenção e justificado a crescente projeção do grupo.

Continental (2026), quinto e mais novo disco de estúdio, representa uma continuação do caminho traçado no álbum anterior, Perpétuo (2024). Não se trata necessariamente de uma evolução radical, mas de um prosseguimento das ideias e marcas sonoras já presentes no trabalho anterior.

As letras seguem como um dos grandes trunfos do álbum. O Black Pantera consegue expor ideias complexas de maneira clara e direta, sendo panfletário sem soar didático. Em faixas como “W.P.P.”, o tom sarcástico cria cumplicidade ao ironizar reclamações de jovens brancos ricos, ao mesmo tempo que o disco traz constantes referências à cultura pop — videogames, quadrinhos ocidentais e animes aparecem ao longo do repertório.

“Somos da América do Sul
Eu sei vocês não devem nem saber
Já dizia Milton desde o nascimento
E só agora eu pude entender
Seus heróis morreram de overdose
Os meus morreram pelo corre
Esse país é um continente
Bebeu o sangue da minha gente
E acham que tamo aqui à toa”

A primeira metade de Continental mostra algum grau de irregularidade, em parte porque petardos de thrash como “Serotonina” e “Negusa Nagast” dividem espaço com experimentos mais voltados ao hard rock, como “Hórus”. Embora tenha um vocal destacado, essa faixa soa deslocada em termos de estilo dentro do conjunto. Outro momento que destoou, dentro do contexto do álbum, é “Banzo”, parceria com Chico César: a música é de qualidade por si só, mas acaba parecendo estranha no alinhamento sonoro do restante das faixas.

Esses desvios expõem o desejo da banda de ir além do thrash, mesmo que nem sempre funcionem tão bem integrados ao álbum. Em separado, muitos desses experimentos podem ser excelentes; em conjunto, o disco oscila entre momentos incendiários do trio e passagens que pedem outro encaixe.

No balanço geral, Continental reforça a noção de que o Black Pantera não é apenas uma banda relevante no cenário nacional, mas uma formação com fortes qualidades musicais e um projeto estético e político claro. O disco amplia horizontes sem negar as raízes do grupo, mantendo a agressão como ferramenta de resistência e mantendo a contundência das letras como marca registrada.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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