O guitarrista do Toto relembra histórias das sessões de Thriller (1982) e destaca a postura profissional de Michael Jackson. Ele conta que, jovem e ‘petulante’, ficou impressionado com o rigor e o brilho do astro.
Trabalhar na criação do álbum mais vendido de todos os tempos — o icônico Thriller (1982), de Michael Jackson — reservou histórias curiosas e marcantes para o guitarrista do Toto, Steve Lukather. Ao relembrar os bastidores daquelas gravações, o músico destacou a combinação entre o brilho do estrelato e uma postura profissional rigorosa por parte do artista.
Lukather contou que, mesmo sendo jovem e estando na faixa dos 20 e poucos anos, sentia-se um “garoto petulante e sabichão” na época. Ainda assim, era difícil manter esse comportamento diante de Michael Jackson, que impressionava pelo conhecimento musical e pela rotina de estúdio. A convivência nos ensaios e gravações trouxe uma mistura de descontração e foco, com pautas criativas claras e alto nível de exigência técnica.
“Michael era um profissional. E o Quincy (Jones) era um excelente produtor e diretor; ele tinha um ótimo ouvido para músicas e escalava os caras certos para as músicas certas.”
O guitarrista também ressaltou a postura colaborativa de Michael no processo criativo. Segundo Lukather, o cantor pedia opiniões aos músicos e demonstrava reações claras por meio da linguagem corporal. Essa abertura para sugestões favorecia um ambiente em que ideias podiam ser testadas e aperfeiçoadas, com a participação ativa dos instrumentistas nas decisões das faixas.
“Ele era muito colaborativo. Queria minha opinião. E o Quincy via isso com bons olhos. O Michael também era engraçado, cara. A linguagem corporal dele deixava claro se ele gostava de uma parte ou não. Ele começava a dançar.”
As contribuições de Lukather acabaram sendo relevantes para algumas das músicas que integraram o disco. O guitarrista participou de arranjos importantes, criando a levada de “Human Nature” e gravando bases de guitarra e baixo em faixas como “Beat It”. Ele recordou que, em certas solicitações do produtor, improvisou na hora e essas partes se tornaram reconhecíveis nas rádios.
“Em músicas como ‘Human Nature’, o Quincy dizia: ‘Dá um toque de funk para mim, cara. Preciso que isso toque nas rádios de R&B’. Inventei aquela parte na hora, e foi isso que acabou tocando no rádio.”
O relato de Lukather dá um panorama sobre como a conjunção entre a visão do produtor, a postura de Michael Jackson e a atuação dos músicos de estúdio contribuiu para a construção de um projeto com impacto mundial. As lembranças destacam tanto o aspecto técnico quanto o humano das sessões que resultaram em um álbum que permanece referência na cultura pop.
