Al-Hilal venceu o Al-Taawoun por 6 a 0, com três gols de Gabriel Martinelli. Torcedores do time da casa entoaram 'Jota' em referência a Diogo Jota, morto em acidente no ano passado, direcionando a manifestação a Rúben Neves.
O Al-Hilal goleou fora de casa o Al-Taawoun por 6 a 0 neste último sábado, pelo Campeonato Saudita, com direito a três gols de Gabriel Martinelli. Apesar da vitória ampla dentro de campo, o que ganhou destaque na cobertura local foi a provocação dirigida ao meio-campista Rúben Neves, do Al-Hilal.
Em determinado momento da partida, com o jogo parado, torcedores do time mandante começaram a gritar repetidamente “Jota! Jota!” em referência a Diogo Jota, ex-atacante da seleção portuguesa e do Liverpool, que morreu em um acidente de carro no ano passado. As manifestações nas arquibancadas foram interpretadas como uma provocação direta ao jogador português.
Rúben Neves reagiu no campo olhando para as arquibancadas e apontando para o céu, gesto que foi visto por parte do público e das câmeras. Depois do jogo, ao ser questionado na zona mista sobre o episódio, o meio-campista falou de forma breve.
“Só espero que depois não vão rezar por causa do que fizeram.”
Além da repercussão pelo comportamento das arquibancadas, a partida também teve destaque pelos gols de Gabriel Martinelli, que marcou três vezes e registrou seus primeiros gols pelo Al-Hilal. Há menções ao vínculo de amizade entre Rúben Neves e Diogo Jota: o meio-campista do Al-Hilal tatuou na panturrilha esquerda a imagem de um abraço em homenagem ao amigo. Também foi informado que Rúben Neves ficará com a camisa 21 do amigo Diogo Jota na seleção de Portugal.
A imprensa saudita condenou os gritos e o incidente gerou manifestações de repúdio de outros jogadores. Um atleta do Al-Ahli publicou um texto em rede social reprovando as ações dos torcedores e sublinhando a dimensão religiosa e cultural do episódio no contexto do país.
“Acho que é meu dever como muçulmano falar disto e alertar. Em relação às ações de alguns torcedores do Al-Taawoun no jogo com o Al-Hilal, isto não é só sobre o seu clube. Tem a ver com a nossa religião, o Islã. Por muito intensa que seja a rivalidade, nunca devemos atacar as famílias das pessoas ou os mortos. É nosso dever mostrar ao Mundo o que o Islã representa. Aquilo foi inaceitável.”
O episódio abriu debates sobre limites da rivalidade entre torcidas, respeito às vítimas e às famílias e o papel das autoridades do futebol na prevenção de atos que ultrapassem a esfera do confronto esportivo. A partida, entretanto, permaneceu marcada no placar pelo triunfo amplo do Al-Hilal.

