A SAF Botafogo avançou ao firmar acordos preliminares com a MLS e o Ludogorets, ampliando negociações na recuperação judicial. Com isso, quase 50% dos credores já têm propostas encaminhadas.
A SAF Botafogo avançou nas negociações do processo de recuperação judicial ao fechar acordos preliminares com dois dos seus maiores credores: a Major League Soccer (MLS) e o clube búlgaro Ludogorets. Nas últimas semanas, a diretoria firmou entendimentos que elevaram para quase 50% o percentual de credores com acordos encaminhados no plano de pagamento.
Os entendimentos foram feitos de forma preliminar, antes da convocação da Assembleia Geral dos Credores, instância em que os credores com direito a voto decidirão sobre a aprovação do plano de pagamento. Para que o plano seja aprovado, a SAF precisa do apoio de 51% dos votos dos credores.
A MLS aparece como a principal credora na lista anexada ao plano de recuperação judicial, com dívida calculada em 38.529.420,00 dólares (equivalente a R$ 191.949.717,50). Esse montante engloba valores ligados às negociações com o Atlanta United, pela transferência de Thiago Almada, e com o New York City, pela operação envolvendo Santi Rodríguez. A venda de Santi ao Columbus Crew, por 6,8 milhões de dólares, será abatida desse montante. Ainda restam detalhes a serem definidos sobre a dívida referente a Thiago Almada com o Atlanta United.
O Ludogorets figura em nono lugar na lista de credores da classe 3, com dívida de 6.350.000,00 euros (cerca de R$ 36.915.090,00), valor relacionado à contratação do atacante Rwan Cruz, que chegou ao clube em 2025. O clube búlgaro sinalizou positivamente para o acordo.
As negociações foram conduzidas diretamente pelo diretor-geral da SAF, Eduardo Iglesias, em uma estratégia de atuação próxima aos credores. Iglesias e outros membros da diretoria viajaram para tratar presencialmente dos termos das propostas.
A SAF considerou que o plano apresentado não é tão agressivo em comparação a processos semelhantes, com o objetivo principal de recuperar a credibilidade do clube no mercado e preservar relações institucionais no longo prazo. Iglesias também participou do processo de recuperação judicial do clube social.
Top credores — Classe 3 da SAF Botafogo
- Major League Soccer: 38.529.420,00 dólares – R$ 191.949.717,50
- GDA LUMA: 37.500.000,00 dólares – R$ 186.821.250,00
- Nottingham Forest: 20.387.500,00 euros – R$ 118.520.692,50
- Sport Lisboa e Benfica: 11.400.000,00 euros – R$ 66.272.760,00
- Macquarie Bank Europe DAC: 10.901.520,00 euros – R$ 63.374.896,37
- Zenit: 9.500.000,00 euros – R$ 55.227.300,00
- OL Brasil Ltda: 8.359.235,00 euros – R$ 48.537.898,00
- Macquarie Bank London: 7.800.000,00 euros – R$ 45.344.520,00
- Santos: 7.500.000,00 dólares + 508.192,09 euros – R$ 40.318.573,90
- Ludogorets: 6.350.000,00 euros – R$ 36.915.090,00
- Udinese Calcio: 5.835.380,70 euros – R$ 33.923.402,16
A GDA Luma aparece como a segunda maior credora, mas, por ser nova investidora da SAF, pediu para ser retirada da lista. Gabriel de Alba ainda não foi formalizado como investidor, mas um acordo vinculante foi celebrado e serve como instrumento jurídico para a atuação dele nos bastidores. As partes seguem discutindo questões jurídicas vinculadas à transferência das ações.
O processo de recuperação judicial da SAF Botafogo tramita na 2ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro. O juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima registrou que o marco inicial da RJ será a data do pedido da cautelar: 21/04/2026. No documento anexado ao processo, a SAF alegou passivo superior a R$ 2,5 bilhões, sendo cerca de R$ 400 milhões referentes a dívidas tributárias.
No dia 10 de julho, a SAF apresentou a primeira minuta do plano de recuperação judicial, detalhando projeto de reestruturação de uma dívida de R$ 1,2 bilhão. Em 15 de agosto, uma segunda versão foi protocolada, com atualização do conceito de “partes isentas” e exclusão da proteção à Eagle. O plano ainda precisa ser aprovado pelos credores e, posteriormente, homologado pela Justiça.
O documento prevê que atletas do elenco atual poderão receber o valor integral em curto prazo, assim como algumas categorias de credores. Outras categorias podem ter deságio de até 95% da dívida. A maioria dos pagamentos terá carência prevista e prazos que podem chegar a 20 anos, a depender da classe do credor.

