No Rock in Rio, Frejat disse ao TMDQA que o rap tornou-se a principal voz do inconformismo. O vocalista do Barão Vermelho acrescentou que as linguagens mudaram, mas a relevância social segue.
O rock já não ocupa o mesmo lugar na cultura popular que teve em décadas passadas, mas, segundo Frejat, vocalista do Barão Vermelho que se apresentou no Rock in Rio neste domingo (6), isso não significa perda de relevância. Em entrevista ao TMDQA, o cantor e compositor avaliou que parte desse papel histórico do rock foi assumida pelo rap.
Ao comentar a cena musical contemporânea, Frejat ressaltou que as linguagens são diferentes, mas que o rap se tornou uma das principais formas de expressão do inconformismo e do posicionamento social hoje em dia. Ele apresentou a ideia de que o espírito rebelde associado ao roqueiro jovem das décadas de 1960 e 1970 passou a se manifestar, em grande parte, por meio do rap.
“O rap hoje representa muito a rebeldia do garoto roqueiro lá dos anos 60, 70”
Frejat também apontou que o rock não desapareceu, mas deixou de ser um fenômeno de massa como foi no passado. Segundo o músico, o gênero passou a ser visto mais como uma linguagem musical do que como um conceito estético, o que abre espaço para que artistas incorporem elementos do rock sem reproduzir necessariamente a estética tradicional associada ao gênero.
“A gente tem o rock hoje muito mais como uma linguagem musical do que como um conceito estético”
Na visão do cantor, a mudança de posição do rock no mercado está ligada à lógica comercial da mídia. Como o gênero deixou de reunir grandes volumes de audiência, perdeu parte do espaço que recebia anteriormente nos grandes meios. Frejat sintetizou essa relação ressaltando o papel do volume na dinâmica dos veículos de comunicação.
“Os meios de comunicação vivem do volume”
Sobre a ideia de que as gerações anteriores teriam produzido mais talentos do que as atuais, Frejat rejeitou essa noção. Ele afirmou que o problema costuma ser a dificuldade de encontrar os artistas, e não a ausência de talento nas novas gerações. Para ele, é possível identificar novos talentos com busca e atenção por parte de quem acompanha a cena.
“Não existe geração sem talento. É só procurar”
O posicionamento de Frejat destaca uma leitura sobre a evolução das identidades musicais: o rock permanece como influência e linguagem, enquanto o rap ocupa um papel relevante na expressão de inconformismo entre os jovens contemporâneos. As observações surgiram no contexto de sua participação no Rock in Rio e da entrevista concedida ao TMDQA, nas quais ele analisou a cena atual, o papel da mídia e a presença de novos talentos na música.
