Com a demora do governo federal em anunciar o prometido pacote de revisão de gastos públicos, a moeda norte-americana começou a avançar com força, em uma evidente resposta do mercado financeiro. Demorou quase um mês para o governo Lula detalhar o pacote fiscal. No dia do anúncio, em 28 de novembro, o dólar chegou perto dos R$ 6, mas fechou o dia a R$ 5,99.
Mesmo com o anúncio de economia de cerca de R$ 71 bilhões nos próximos dois anos, a notícia não pegou bem entre os investidores. Isso porque o governo decidiu combinar o anúncio do pacote fiscal com a futura reforma da renda, que visa isentar o pagamento do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil por mês.
No dia seguinte, em 29 de novembro de 2024, o dólar fechou em sessão acima dos R$ 6 pela primeira vez na história.
O que dizem os especialistas
Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, diz que as mudanças são bastante complexas, principalmente devido ao cenário internacional. Uma das preocupações é a nova presidência dos Estados Unidos (EUA). O republicano Donald Trump promete impor políticas de taxação mais rígidas, que impactam o câmbio no mundo.
“Para que o dólar diminua substancialmente, será necessário observar como essas medidas serão implementadas pelo governo Trump e avaliar sua efetividade”, explica.
Eyng acredita que o recuo da moeda norte-americana não ocorrerá tão cedo. Segundo ele, esse processo deve ocorrer até o fim do primeiro semestre de 2025.
Ele entende que, caso o governo adote medidas mais concretas, “é possível que o real recupere parte desse terreno perdido”. “Devido à desvalorização mais acentuada, o real tem espaço para se valorizar, mesmo diante de um cenário externo desafiador”, diz.
Para Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, a política monetária deve ser conduzida com equilíbrio, sem sufocar o crescimento econômico. Ele destaca que intervenções pontuais do Banco Central (BC) no mercado de câmbio “ajudam a controlar a volatilidade, mas não substituem políticas estruturais”.
“Com ações coordenadas e sinais claros de responsabilidade fiscal, há espaço para uma valorização sustentável da moeda brasileira.”
Na visão de André Matos, CEO da MA7 Negócios, o “antídoto” para a desvalorização do dólar frente ao real está nos juros. Atualmente, a taxa básica de juros (a Selic) está em 12,25% ao ano e o BC já adiantou duas novas elevações.
Contudo, Matos alerta para a adoção de medidas emergenciais. “Medidas muito emergenciais e agressivas podem resolver um problema, mas causar outros impactos negativos”, afirma. “É um momento de prudência, mas há possibilidades e estratégias que podem ser adotadas”, completa.
imagem: Carol Smiljan/NurPhoto via Getty Images
Por Metropoles