Itabaiana · sábado · 26 de setembro de 2026
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Pesquisa revela que povos indígenas percebem e reagem às mudanças do clima em seus territórios. Mais da metade relata impactos diretos de mineração e desmatamento.

Um novo estudo, divulgado nesta terça-feira (16), revela que os conhecimentos, sistemas de governança e cosmovisões indígenas trazem benefícios significativos para o clima e a biodiversidade do planeta. Os dados mostram que as culturas dos povos indígenas estão intimamente ligadas aos processos de conservação.

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De acordo com a pesquisa, 100% das pessoas indígenas entrevistadas perceberam mudanças no clima e nas condições meteorológicas de seus territórios. Além disso, 61% relataram impactos diretos provocados por indústrias extrativas, como mineração, exploração madeireira, agricultura comercial e desenvolvimento de infraestrutura em suas comunidades.

O estudo intitulado “Sistemas de conhecimento e práticas dos povos indígenas para a sobrevivência climática” foi realizado através de entrevistas com povos indígenas de 43 comunidades em seis continentes, em colaboração com especialistas e comunidades indígenas da África, Ásia, Américas e Pacífico. A análise examina como essas comunidades cuidam de seus territórios utilizando práticas tradicionais baseadas na observação da natureza e em laços intergeracionais com os lugares onde habitam.

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A pesquisa também destaca que a cultura e a conservação estão interligadas, pois as tradições que preservam idiomas, rituais e identidades também protegem terras, água e vida silvestre. Dados indicam que 60% dos mamíferos terrestres têm mais de 10% de sua distribuição em territórios indígenas.

Cerca de 96% dos entrevistados afirmaram que suas comunidades reservaram terras ou águas para usos sagrados ou culturais, que servem como habitat para a fauna e refúgio para florestas primárias. No Brasil, um exemplo dessa atuação é o povo Mamoadate, que protege árvores frutíferas silvestres e palmeiras essenciais para a fauna local.

Apesar do papel fundamental que os povos indígenas desempenham na conservação de ecossistemas saudáveis, seus territórios enfrentam grandes ameaças. Entre 2018 e 2024, os territórios indígenas perderam 2 bilhões de toneladas métricas de carbono irrecuperável devido a atividades como mineração, expansão agrícola, incêndios e outras pressões.

“O conhecimento indígena sustenta alguns dos esforços de conservação mais eficazes do mundo e, ainda assim, por muito tempo foi ignorado, minimizado ou relegado ao segundo plano”, afirma Johnson Cerda, coautor do estudo e líder de trabalho da Conservation International com povos indígenas e comunidades locais.

Sem o reconhecimento de seus direitos territoriais, muitas comunidades indígenas encontram dificuldades para investir na gestão de seus territórios e se proteger contra a apropriação de terras e outras invasões.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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