Negócios por faixas para igrejas e televendas fragmentaram a grade e reduziram a audiência. Em busca de receita imediata, emissoras abriram mão da identidade e da qualidade, ameaçando a viabilidade do setor.
A venda de horários acabou se tornando um dos maiores problemas da TV brasileira. Em nome da receita imediata e do trabalho de só tirar nota fiscal, faixas inteiras foram entregues para igrejas, televendas e outros conteúdos, comprometendo sempre seriamente o conjunto e a harmonia da grade.
Pior foi que algumas emissoras não conseguiram mais sobreviver sem se agarrar a isso, e o resultado foi uma programação cada vez mais fragmentada e menos atraente. Por tudo e em tudo, mas também pela falta de comprometimento e pelo que se deixou de ganhar, essa relação de completa dependência foi um enorme desastre.
Horários que poderiam abrigar jornalismo, entretenimento, séries ou novos formatos acabaram ocupados por conteúdos comprados, muitas vezes mal-ajambrados e sem identidade. Houve um tempo em que montar uma grade também era questão de prestígio: havia disputa em torno de talentos, formatos e audiência para colocar uma TV em pé e em condições de competitividade. Hoje, parte desse brilho foi substituída pela lógica do aluguel, com consequências negativas para a qualidade geral.
Tamanho do prejuízo: o “MasterChef” era um dos programas de maior importância e faturamento da Band. Nesta última terça, no entanto, com Horário Político e Igreja, foi ao ar perto das 23h para terminar quase 2h da manhã — um deslocamento que comprometeu a visibilidade e a audiência do programa.
É preciso repensar, e com urgência, o modelo do horário eleitoral gratuito na televisão. Funcionou em outros tempos, quando a TV era praticamente a única grande fonte de informação. Hoje, com internet e tantas outras opções, virou um problema para as emissoras. Os números de audiência destes primeiros dias mostraram essa tendência.
Sobre o debate entre presidenciáveis, ainda não foi possível cravar se será realizado no dia 20 pelo SBT e pelas empresas do seu pool. Tudo indica que não. Lula já disse que não irá participar do debate. Ele não indo, Flávio Bolsonaro também não irá. Não contando com os dois, resta saber o que o pool formado pelas 11 empresas irá decidir; a tendência, até hoje, foi de que não aconteça.
Bate – Rebate
- Redução de faturamento: As TVs buscaram diversas alternativas para diminuir o baixo faturamento de agosto.
- SBT — Estreia: O SBT vai estrear a faixa Discovery nesta próxima sexta-feira, com “Aeroporto: Área Restrita”, apresentado por Cesar Filho.
- SBT — Up-front: Há desejo de realizar um up-front para anunciar as novidades de 2027, mas a data não foi definida.
- Podcast: Vera Viel estreou o podcast “Vozes da Vida”, com episódios já tendo participações como Fabiana Justus, Mariana Rios e Amanda Meirelles.
- Osesp: A partir de amanhã, quinta, a Osesp recebe a regente Xian Zhang e dez músicos da China NCPA Orchestra na Sala São Paulo; o programa inclui obras de Yuankai Bao, Prokofiev e Mussorgsky.
- Prêmios: A TV Cultura premiou “Theo” com o Prêmio Aquisição e deu Menção Honrosa a “Entre Mães” no Festival Internacional de Curtas de São Paulo; ambos serão exibidos em breve.
Outros pontos
- Direitos esportivos: Todos os veículos disputantes de direitos, especialmente a nova janela da Copa do Brasil e o terceiro pacote da Libertadores, contaram com prazo máximo até o dia 20 para uma solução.
- Novos nomes: Além de Daniel Abravanel, chegaram ao comercial do SBT Ricardo Scalamandré e Sérgio Valente, o que exigirá definição clara de responsabilidades.
- Programação: O autor Daniel Ortiz acompanhou a escalação de “Elas que Lutem” na Globo, próxima das 19h, com preocupação para evitar vazamentos antes da assinatura dos contratos.
- Contatos: Houve contato inicial para avaliar Christina Rocha na “Cabine de Descompressão” da “Fazenda”.
- Carreiras: Michele Silva, em Porto Alegre, mostrou qualidades em transmissões na Rádio Bandeirantes e a seguir na Rádio Globo; assinou com Cazé. Monique Vilela, repórter da TMC em Curitiba, também foi destacada.
O quadro geral apontou para a necessidade de ajustes profundos: rever o uso comercial dos horários, atualizar regras do horário eleitoral e resgatar investimentos em conteúdo próprio são passos que se mostraram urgentes para reequilibrar audiência e identidade das emissoras.
