Durante a cúpula do G7 na França, Trump intensificou ataques ao México ao afirmar que narcotraficantes dominam o país. A declaração aumenta a tensão com a presidente Claudia Sheinbaum.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o México, nesta quarta-feira (17/6), ao afirmar que os cartéis do narcotráfico controlam o país. A declaração foi feita durante sua participação na cúpula do G7, que aconteceu na cidade francesa de Évian-les-Bains, e surge em um momento de crescente tensão entre Washington e o governo da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
“O México perdeu o controle do país. Os cartéis comandam o México e isso é triste, e a presidente é uma mulher muito boa, mas está com muito medo. Os cartéis de drogas controlam totalmente o México”
Essa afirmação reforça o discurso que o republicano tem mantido desde seu retorno à Casa Branca, caracterizado pelo endurecimento da política de combate ao narcotráfico e pela pressão sobre o governo mexicano para aumentar as ações contra as organizações criminosas. Nos últimos meses, a administração Trump classificou diversos cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras, ampliou sanções financeiras e passou a defender medidas mais agressivas contra grupos envolvidos na produção e no tráfico de drogas sintéticas, especialmente o fentanil.
A declaração de Trump vem meses após uma operação que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), um dos maiores cartéis do México. Embora o governo mexicano tenha afirmado que a ação foi conduzida por forças nacionais, autoridades americanas reconheceram ter fornecido apoio de inteligência.
A morte de El Mencho desencadeou uma onda de violência em várias regiões do México. Dados divulgados pelas autoridades relatam que confrontos posteriores resultaram em dezenas de mortos, além de ataques contra integrantes das forças de segurança.
A relação entre os dois países vive um momento delicado. As declarações do presidente dos EUA contrastam com a tentativa de Sheinbaum de preservar a cooperação bilateral em segurança, sem abrir mão da soberania mexicana. Em maio, após uma reunião com autoridades norte-americanas, a presidente afirmou que os dois países concordaram em manter a colaboração “dentro de um marco de respeito”. Além de combater o narcotráfico, as nações também enfrentam divergências sobre imigração, tráfico de armas e a atuação de agentes americanos em operações realizadas no México.
