Vivemos revivendo memórias e buscando conforto no que já foi. Na edição digital de agosto da CAPRICHO, a equipe vira o olhar e propõe caminhos e ideias para construir o amanhã.
Temos uma habilidade clara: olhar para trás. Nos últimos anos, a nostalgia virou quase uma linguagem comum — reassistimos às mesmas séries, esperamos o retorno de bandas que marcaram épocas, voltam tendências que jurávamos nunca mais usar e sentimos saudade até de tempos que não vivemos. Em um presente acelerado, incerto e por vezes assustador, o passado acaba oferecendo conforto. Mas e o futuro? Para onde estamos olhando?
Foi dessa pergunta que nasceu a edição digital de agosto da CAPRICHO. O cansaço da nostalgia motivou a equipe a inverter a direção do olhar. Não se trata de negar a importância do passado, mas de recuperar a capacidade de imaginar o que ainda não existe. A proposta desta edição é deslocar a atenção do que já passou para o que pode vir a ser.
Colocar a Galera CAPRICHO no centro dessa conversa faz sentido: é a quarta capa protagonizada por jovens da comunidade, mantendo uma tradição que mostra uma crença editorial clara — nenhuma discussão sobre juventude acontece sem ouvir quem vive essa juventude agora. Por isso, a capa desta edição funciona como um manifesto: convidar quem lê a pensar possibilidades, espaço de atuação e transformação.
“Agora, para um grupo de jovens que veio de diferentes cantos do Brasil, essa imagem [de ser capa de revista] ganhou outra perspectiva: também pode ser você.”
Essas palavras, escritas por Giuliana Milani, da Galera CAPRICHO, são um convite direto. A frase reforça que imaginar o futuro envolve mais do que esperança: envolve reconhecimento de espaço, inclusão e a visão de que a mudança é acessível. Existe espaço para ocupar, transformar, questionar, inventar caminhos e até mudar de ideia no meio do percurso.
Esta edição se propõe a olhar o futuro com curiosidade, não com medo. A nostalgia pode seguir presente, fornecendo conforto e referência, mas não precisa ser o único lugar seguro para onde nos voltamos. Se o passado já aconteceu, o futuro ainda pode ser nosso — uma visão que chama à ação e à imaginação coletiva.
Esperamos que esta edição inspire quem lê a se imaginar protagonista, a ocupar lugares e a pensar possibilidades. O convite é simples: olhar adiante sem apagar o que veio antes.
Beijos, Paula Cruz/CAPRICHO

