Brian Winter, editor-chefe da Americas Quarterly, diz que as novas tarifas dos EUA ao Brasil têm base ideológica. Aliados de Trump tratam a globalização recente como 'erro' e buscam revertê-la com Stephen Miller.
As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil reacenderam o debate sobre a política comercial do governo de Donald Trump. Em uma análise realizada por Brian Winter, editor-chefe da Americas Quarterly, foram destacados os fundamentos ideológicos que sustentam essas medidas.
A visão predominante entre os aliados de Trump é que os últimos 30 a 40 anos de globalização foram um grande ‘erro’. Winter afirmou:
“Ele está tentando reverter esse processo com a ajuda de vários aliados.”
Entre os nomes mencionados, destacam-se Stephen Miller e Jamieson Greer, que são considerados figuras centrais nessa agenda e acreditam ser possível trazer empregos de qualidade no setor manufatureiro de volta para os Estados Unidos.
Além disso, as novas tarifas foram estruturadas com fundamentos legais mais sólidos em relação às anteriores, o que, segundo Winter, aumenta as chances de resistência a eventuais contestações judiciais. A justificativa oficial para essas tarifas é a questão do trabalho forçado, mas o especialista caracterizou essa justificativa como uma
“desculpa”
e ressaltou que essa é uma visão ideológica que começou a ser implementada há mais de cinco meses, com resultados visíveis atualmente.
Uma ironia dessa estratégia é que, mesmo com o aumento das tarifas, o desemprego nos Estados Unidos está no menor nível desde 1969. Winter apontou que, com a taxa de desemprego tão baixa, surge uma questão importante:
“Se o desemprego americano está em nível historicamente baixo, onde serão encontrados os trabalhadores para produzir os bens que o governo pretende trazer de volta ao país?”
Ele reconheceu que não há uma resposta simples para essa questão.
Esse contexto de mudanças nas tarifas e a discussão sobre a globalização refletem as tensões existentes na política comercial americana, assim como a busca do governo por alternativas que possam beneficiar a economia interna.
