Um novo relatório sobre o Super El Niño, previsto para ocorrer entre 2026 e 2027, aponta que o fenômeno pode gerar impactos significativos na produção agrícola global. As consequências, no entanto, serão diferenciadas entre as diversas regiões do mundo.
Enquanto países da Ásia enfrentam um aumento no risco de redução da oferta de alimentos e uma possível inflação, na América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, as condições climáticas podem se mostrar mais favoráveis para determinadas culturas. Isso pode resultar em uma maior disponibilidade de commodities no mercado internacional.
A análise da Allianz indica que este Super El Niño pode ser um dos mais intensos desde o evento de 2015-2016. Para o Brasil, o impacto do fenômeno climático terá variações entre regiões e cadeias produtivas. Algumas áreas poderão se beneficiar de melhores condições para a produção agrícola, enquanto outras podem enfrentar desafios, como a redução das chuvas.
O relatório destaca que o Norte do País é uma das regiões mais suscetíveis à seca, enquanto outras áreas produtoras podem alcançar ganhos de produtividade.
O agronegócio brasileiro deverá acompanhar de perto os impactos do fenômeno em diversas cadeias. As culturas de soja e milho, por exemplo, são as que mais devem ser observadas devido ao seu papel na produtividade e na oferta global. O café também é sensível às variações climáticas, assim como a cana-de-açúcar, que depende da relação entre chuvas e qualidade da matéria-prima. A pecuária, por sua vez, pode ser afetada pela disponibilidade de pastagens e ração para os animais.
Além disso, as mudanças climáticas podem afetar os custos de alimentação do rebanho no setor de leite, o que pode impactar a produção. A previsão é de que os episódios de forte El Niño contribuam para o aumento dos preços globais dos alimentos. Estimativas sugerem que um El Niño típico pode elevar os valores internacionais de alimentos em cerca de 5% ao longo de um ano.
As consequências, no entanto, não são uniformes. A Ásia se destaca como uma região vulnerável, com riscos elevados de secas e impacto na produção agrícola, o que pode levar a restrições às exportações de alimentos básicos. Embora o Brasil possa enfrentar alguma pressão inflacionária, a magnitude dependerá da intensidade do fenômeno e seus efeitos regionais.
Em termos financeiros, o relatório sugere que um Super El Niño não deve provocar mudanças estruturais significativas nos mercados globais, uma vez que as flutuações das bolsas estão mais ligadas ao cenário macroeconômico do que ao fenômeno climático. A atenção maior se volta para a produção agrícola, os preços dos alimentos e a renda dos produtores.
