Projeto de João Alves ficou no papel e frustrou o Agreste e o Baixo São Francisco. Com a Bahia executando obra própria, Sergipe precisou repensar a captação para abastecer Aracaju e a agricultura.
O Canal de Xingó representa um sonho antigo para Sergipe, idealizado pelo ex-governador João Alves. A construção do canal foi discutida várias vezes, mas nunca se concretizou, resultando em frustrações para a população sergipana. O projeto, que previa uma parceria com a Bahia, enfrentou obstáculos quando o estado vizinho decidiu desenvolver seu próprio canal, levando Sergipe a repensar a captação de água.
O canal tinha como objetivo principal fornecer água para a agricultura e abastecimento urbano, especialmente nas regiões do Agreste e Baixo São Francisco, incluindo a capital Aracaju. Especialistas como o engenheiro Carlos Hermínio ressaltam a urgência da obra, afirmando que o estado já está atrasado em relação à implementação deste projeto vital.
Hermínio alerta que a inércia pode levar a um colapso no fornecimento de água em Sergipe, uma preocupação que também é compartilhada por Renato Conde Garcia, engenheiro aposentado da Deso. Garcia realizou um estudo aprofundado sobre a viabilidade do canal, documentado no livro “Linha mestra Xingó: Uma solução para o abastecimento de água no Estado de Sergipe”.
A análise de Garcia apresentou soluções técnicas que consideram os custos e benefícios do canal, indicando o potencial impacto positivo na vida das comunidades locais. No entanto, a falta de atenção e interesse das autoridades em relação a esse projeto é uma das razões pelas quais a obra ainda não saiu do papel.
A negligência do poder público ao longo dos anos é um tema recorrente na história de Sergipe, especialmente em relação à duplicação da BR-101. Esta obra, que poderia ter sido realizada em um período muito mais curto, ainda está longe de ser concluída, refletindo a falta de respeito com a população. A classe política local tem sido criticada por não buscar apoio para projetos que poderiam beneficiar a sociedade de forma significativa.
Além disso, a situação do Canal de Xingó é ainda mais alarmante quando comparada ao Canal do Sertão Alagoano, que está avançando e beneficiando a agricultura em Alagoas. Enquanto isso, Sergipe não possui um canal que atenda às suas necessidades, tendo apenas uma adutora, a Adutora do Leite, que, apesar de custar 680 milhões de reais, apresenta uma capacidade de vazão muito inferior ao que o Canal de Xingó poderia oferecer.
Esse cenário evidencia a necessidade urgente de ações efetivas para garantir o abastecimento de água e o desenvolvimento agrícola em Sergipe. O Canal de Xingó não é apenas um sonho, mas uma necessidade real, e sua implementação poderia transformar a realidade hídrica do estado.
