Análise divulgada em 5 de agosto aponta a menor colheita desde 1984, após primavera e verão extremamente secos e quentes. Junho foi o mais quente na Inglaterra; julho foi o mais seco em Inglaterra e País de Gales.
A colheita de cereais no Reino Unido está a caminho de ser a mais baixa desde que os registros começaram em 1984. Essa previsão foi feita com base em uma análise divulgada hoje, 05 de agosto de 2026, que aponta para plantações severamente afetadas por uma primavera e um verão extremamente secos e quentes.
O mês de junho deste ano foi o mais quente já registrado na Inglaterra, enquanto o Reino Unido teve seu segundo mês mais quente. Além disso, tanto a Inglaterra quanto o País de Gales enfrentaram o mês de julho mais seco desde que há registros, de acordo com informações do serviço meteorológico britânico, o Met Office.
O centro de estudos ECIU (Energy and Climate Intelligence Unit) afirmou que as condições climáticas adversas podem ter reduzido a colheita de cereais e oleaginosas da Grã-Bretanha em até 2,5 milhões de toneladas métricas em relação às previsões anteriores. Isso resultaria em uma perda de receitas de até 390 milhões de libras (aproximadamente US$ 524 milhões) para os agricultores britânicos.
As estimativas provisórias de produtividade do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Horticultura sugerem que os rendimentos de trigo, cevada de primavera e aveia deverão ter quedas significativas, com a produtividade esperada do trigo ficando bem abaixo da média dos últimos dez anos, que é de 6,8 toneladas por hectare.
Com 54% da safra de trigo já colhida, se os rendimentos médios se mantiverem, a colheita britânica de cereais e oleaginosas deve ser de 19,5 milhões de toneladas, o que superaria o ano de 2020 como a pior colheita desde o início dos registros em 1984. Essa situação se mantém mesmo levando em conta as boas produtividades esperadas para a colza (canola).
“Mesmo que as estimativas de produtividade sejam revisadas para cima, 2026 agora provavelmente será uma das cinco piores colheitas desde 1984, o que significaria que quatro das cinco piores safras registradas ocorreram nesta década após períodos de eventos climáticos extremos agravados pelas mudanças climáticas”, afirmou o ECIU.
Recentemente, o Sindicato Nacional dos Agricultores (National Farmers’ Union) alertou que a Grã-Bretanha pode enfrentar uma escassez de determinados alimentos devido à seca e pediu incentivos fiscais para o setor melhorar o armazenamento de água. Além disso, mais de 100 organizações enviaram uma carta ao novo primeiro-ministro, Andy Burnham, pedindo que a segurança alimentar seja uma prioridade nacional, ao lado da defesa e da energia.
Fazendeiros em toda a Europa também relataram quedas na produção e aumento nos preços devido às condições climáticas extremas.
