A Caferon, Associação dos Cafeicultores de Rondônia, projeta que a safra de café robusta de 2026 no estado deve atingir o recorde de 3 milhões de sacas de 60 quilos. Este número é superior às 2,77 milhões de sacas previstas pela Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento, e é impulsionado pelo clima favorável e pelo uso da irrigação.
Se a estimativa da associação se confirmar, o volume representará um aumento de quase 30% em relação à produção do ano passado, que foi consolidada em 2,32 milhões de sacas pela Conab em maio.
As perspectivas otimistas ocorrem apesar dos temores em relação ao “Super El Niño”, que poderia desestruturar o atual ciclo produtivo. Segundo o presidente da Caferon, Juan Travain, as temperaturas e o regime de chuvas na Região Norte do Brasil têm se mantido dentro das médias sazonais este ano.
“A safra 2026/27 está se desenhando para produzir grãos graúdos, com boa qualidade e rendimentos fortes”,
destacou Travain.
A produtividade do robusta em Rondônia está entre as mais altas do mundo, com média de 64 sacas por hectare. Travain também ressaltou que quase todas as lavouras utilizam sistemas de irrigação por gotejamento, o que reduz a vulnerabilidade ao calor e à seca, em comparação às áreas de café arábica em outras regiões do país.
O cenário em Rondônia contrasta com o de outras regiões cafeeiras, especialmente no Sudeste. Em Minas Gerais, por exemplo, os produtores enfrentaram chuvas irregulares, incluindo três dias consecutivos de precipitação em junho, que elevaram o risco de doenças bacterianas e fúngicas nas plantações.
De acordo com Travain, a principal preocupação, caso o El Niño se intensifique, continua sendo as altas temperaturas. O período crítico está concentrado entre agosto e outubro, quando o calor excessivo pode abortar flores e queimar os ramos produtivos, comprometendo o potencial da safra.
A robustez do parque cafeeiro rondoniense também é atribuída à genética. O pesquisador da Embrapa, Enrique Alves, explicou que as variedades de cafés canéforas, que incluem o robusta e o conilon, são naturalmente mais adaptadas a climas quentes. Além disso, boa parte do material cultivado no estado possui resistência à ferrugem e a nematoides.
“No geral, o robusta é mais resiliente do que o arábica”,
afirmou o pesquisador.
Alves acrescentou que as previsões indicam que o pico do El Niño deve ocorrer mais para o fim do ano. Embora não seja o cenário ideal, o calendário é considerado mais favorável do que o registrado em 2024, quando o fenômeno atingiu o ápice durante a florada de agosto e setembro.
“O pior cenário seria o pico acontecer antes ou durante a floração”,
concluiu.
