Mesmo com trégua nas chuvas, o estado segue em alerta: temporais atingiram 206 municípios e deixaram milhares fora de casa. São 21 abrigos em 18 cidades; analista diz que o curso dos rios amplia o risco.
O Rio Grande do Sul continua sob alerta, mesmo com uma pausa nas chuvas. De acordo com o último balanço da Defesa Civil, 206 municípios foram afetados pelos temporais, resultando em mais de 1.800 pessoas fora de suas casas, a maioria desabrigadas.
O analista de Clima e Meio Ambiente, Pedro Côrtes, destacou em um programa ao vivo que o trajeto dos rios na região é um fator determinante para os alagamentos no estado. O governo estadual informou que existem 21 abrigos ativos em 18 cidades, preparados para receber as famílias desalojadas.
Adicionalmente, alertas de alto risco para inundações foram emitidos para cidades como General Câmara e Charqueadas, localizadas ao longo do rio Jacuí, além de São Borja, no rio Uruguai.
No que diz respeito à capital, Porto Alegre, o Lago Guaíba apresenta uma elevação gradual em seu nível, com previsão de aumento mais significativo entre hoje e amanhã. Embora ainda esteja abaixo da cota de inundação em pontos de medição como o Cais Mauá, algumas vias ribeirinhas já enfrentam alagamentos.
“São locais que, tradicionalmente, acabam sendo alagados na região das ilhas de Porto Alegre e que, nesse momento, estão demandando uma atenção maior da Defesa Civil”, explicou a repórter Gabriela Garcia.
A elevação do Guaíba é resultado do grande volume de chuvas que atingiu as bacias dos rios Taquari e Caí nos dias anteriores. A Defesa Civil de Porto Alegre continua monitorando de perto a situação, especialmente nas áreas vulneráveis à elevação das águas.
No Vale do Taquari, o nível do rio em Lajeado caiu mais de três metros, saindo da cota de inundação. A prefeitura local acredita que, até o fim do dia de hoje, o rio retorne ao seu nível normal de 13 metros, permitindo que as famílias voltem para suas residências. Até o momento, aproximadamente 168 famílias ainda estão abrigadas no Parque do Imigrante, aguardando autorização para retorno.
As ruas e avenidas do município já estão passando por limpeza, com o uso de caminhões-pipa. À medida que as águas recuam, peixes mortos trazidos pelo rio Taquari têm sido encontrados nas margens das estradas.
“Agora, além da questão do lodo, das mobílias e do lixo, a gente também está encontrando alguns animais pela estrada”, descreveu a repórter Jéssica Malman.
O analista Pedro Côrtes também comentou que, apesar da melhora do tempo, o alerta se mantém. Ele ressaltou que a água acumulada nas cabeceiras dos rios Taquari e Jacuí ainda desce em direção às áreas mais baixas, incluindo Porto Alegre. “Com isso, qualquer chuva mais intensa que caia na cabeceira dos rios vai impactar Porto Alegre, porque o solo não tem mais capacidade de absorção do excedente”, alertou.
Além disso, há previsão de retorno das chuvas no final de semana e início da próxima semana, com possibilidade de volumes intensos em algumas áreas, mantendo o estado em situação de atenção. A região de Canoas, na Grande Porto Alegre, foi mencionada como um exemplo dos riscos, uma vez que em 2024 ficou completamente submersa, afetando cerca de 50 mil famílias.
