A partir do fim de junho de 2026, o Brasil passará a comercializar o lecanemabe, medicamento indicado para retardar a evolução do Alzheimer em pacientes nos estágios iniciais da doença. Registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim do ano passado, o fármaco será oferecido com o nome comercial Leqembi.
Preço elevado e debate sobre acesso
Desenvolvido pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, o tratamento terá custo mensal estimado entre R$ 8 mil e R$ 11 mil, valor que varia conforme a carga tributária de cada estado. A definição sobre cobertura pelos planos de saúde ou inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não foi anunciada, o que coloca em destaque a discussão sobre a ampliação do acesso.
Mecanismo de ação
O lecanemabe atua sobre as placas de beta-amiloide que se acumulam no cérebro de pessoas com Alzheimer, processo associado à perda de memória e de outras funções cognitivas. Embora não cure a enfermidade, o medicamento demonstrou retardar sua progressão quando administrado em pacientes com sintomas leves ou em fase inicial de demência.
Aplicação e acompanhamento
A administração é feita por infusão intravenosa quinzenal, em ambiente hospitalar ou ambulatorial, exigindo acompanhamento médico contínuo.
Evidências clínicas
A aprovação se baseou em estudo publicado no periódico The New England Journal of Medicine, que avaliou 1.795 participantes durante 18 meses. Os resultados apontaram redução de 27% na progressão da doença em comparação ao grupo placebo, refletindo desaceleração na perda cognitiva.
Indicações e contraindicações
O tratamento não é recomendado para pessoas com mutação no gene ApoE4, devido ao maior risco de efeitos adversos como inchaço cerebral e micro-hemorragias. Antes do início da terapia, exames específicos são necessários, e o monitoramento deve prosseguir ao longo do uso do fármaco.
A chegada do lecanemabe amplia o arsenal terapêutico contra o Alzheimer no país, mas o preço elevado permanece como um dos principais obstáculos para a popularização do tratamento.
