Uma nova leva de produtores sem identidade revelada vem transformando remixes de funk brasileiro em fenômenos de audiência nas principais plataformas digitais. Perfis como ZXKAI e ATLXS concentram centenas de milhões de reproduções e ampliam o alcance internacional do gênero, que já havia conquistado espaço fora do país com nomes como Anitta e MC GW.
Milhões de cliques e ouvintes
A versão mais popular de No Batidão, assinada por ZXKAI, acumula 99 milhões de visualizações no YouTube. Já ATLXS alcançou 309 milhões de acessos com Passo Bem Solto (Slowed) na mesma plataforma. Segundo o site Songstats, ATLXS somou 11,7 milhões de ouvintes no Spotify nos últimos 28 dias, concentrados principalmente em São Paulo, padrão que se repete com ZXKAI.
Dados de abril apontam ainda para números expressivos no YouTube: mais de 10 bilhões de streams para ZXKAI, 5 bilhões para Repsaj e 75 milhões para ATLXS em um único mês.
Interações em inglês e alcance fora do Brasil
Apesar de o público brasileiro liderar as execuções, os comentários em inglês nos vídeos indicam expansão além das fronteiras nacionais. Usuários estrangeiros destacam a “energia” do ritmo, mesmo sem compreender as letras em português, fenômeno potencializado por redes como TikTok e Instagram.
Identidades mantidas em sigilo
Os canais desses produtores oferecem poucas pistas sobre quem está por trás dos hits. O perfil de ATLXS no YouTube, com 1,4 milhão de inscritos, menciona origem na Romênia, mas não divulga imagens pessoais; no Instagram, o número de seguidores gira em torno de 40 mil. ZXKAI age de forma semelhante e utiliza ainda o pseudônimo slxughter em outras plataformas.
Outros nomes que se destacam na mesma tendência incluem MXZI, GXMZ e Repsaj. Por conta do anonimato, não há confirmação se são artistas distintos ou contas operadas por uma mesma pessoa.
Motivos para o anonimato
Para o especialista em funk Daniel de Souza, a opção pelo sigilo facilita a monetização de músicas de terceiros. “Eles fazem montagens com pequenas alterações para evitar que as faixas sejam retiradas das plataformas; em alguns casos, dão crédito ao autor original para manter a canção no ar”, explica.
Tendências sonoras
Os remixes mais populares circulam em três formatos principais:
- Slowed – versões mais lentas e atmosféricas;
- Reverb – adição de eco que simula grandes ambientes;
- Brazilian Phonk – fusão do funk nacional com batidas pesadas do phonk, subgênero do trap.
Enquanto as músicas seguem viralizando, os produtores mantêm o mistério sobre suas identidades, sustentando a nova onda do funk brasileiro que ecoa nos quatro cantos do mundo.