Itabaiana · quarta-feira · 23 de setembro de 2026
⏱ 3 min de leitura

Cantora e ativista, filha de Gilberto Gil, faleceu nos EUA durante tratamento contra câncer de intestino que havia retornado.

A música brasileira e a luta por inclusão perdem um de seus maiores ícones: Preta Gil morreu neste domingo (20), aos 50 anos. A notícia foi confirmada pela assessoria da artista à Quem, e a família deve se pronunciar em breve. Preta, que estava em Nova York para tratamento, lutava contra um câncer colorretal diagnosticado em janeiro de 2023, que havia entrado em remissão no final do mesmo ano, mas infelizmente retornou em agosto de 2024 em quatro locais do corpo.

Filha de Gilberto Gil e afilhada de Gal Costa, Preta Gil cresceu em um berço de grandes nomes da MPB, mas construiu sua própria trajetória de sucesso e ativismo. Em dezembro de 2024, ela passou por uma cirurgia de 20 horas nos EUA para a retirada dos tumores, buscando uma segunda opinião médica em um hospital de referência no tratamento oncológico.

Publicidade

Ao longo de todo o seu tratamento, Preta compartilhou abertamente sua rotina de exames, internações e cirurgias com os fãs. Da alegria das pequenas vitórias aos grandes reveses, como um choque séptico gravíssimo e o doloroso fim de seu casamento por traição, ela sempre se mostrou transparente. Em agosto de 2023, enfrentou uma cirurgia de 14 horas para extirpar o tumor e fazer uma histerectomia total abdominal, e no ano seguinte, revelou a necessidade de amputar o reto.

Sua vulnerabilidade e honestidade transformaram sua dor em força e inspiração. Preta não hesitou em abordar temas difíceis, como a ileostomia que precisou fazer, postando fotos de biquíni com a bolsa e normalizando a imagem da pessoa estomizada, sempre com a mensagem: “Podemos romper os preconceitos”.

Nos últimos anos, Preta Gil usou sua voz potente não apenas na música, mas em todas as plataformas que alcançava. Ela tomou para si bandeiras importantes como a luta contra o racismo, a gordofobia, os direitos das mulheres e da comunidade LGBT+, e a autoaceitação e amor-próprio. “Uma mulher preta, gorda, bissexual”, como ela mesma se descrevia, desafiando padrões e inspirando milhões.

Com um tino empresarial notável, Preta fundou a Mynd em 2017, agência de marketing digital que revolucionou a comunicação nas redes sociais e tinha mais de 50% da equipe composta por pessoas pretas. Ela também se tornou uma das maiores influenciadoras do Brasil, abandonando filtros e maquiagem excessiva, e assumindo os cabelos brancos. Ela se recusava a aceitar elogios sobre emagrecimento durante o tratamento, lembrando que a perda de peso era um sintoma da doença.

Preta Gil, que deixa o filho Francisco, de 30 anos, e a neta Sol de Maria, de nove, havia completado 50 anos em 2025, lançando sua biografia “Preta Gil: Os Primeiros 50”. Nela, narrou sua vida desde a infância na Bahia até a paixão pela neta, passando por amores, dores, racismo e sua virada para a música aos 28 anos, após um processo de autoconhecimento e de superação do medo das comparações com sua família de gênios musicais.

Sua partida deixa um vazio imenso, mas seu legado de alegria, transformação, coragem e amor-próprio permanecerá vivo na memória de todos que foram tocados por sua arte e sua luta. Preta Gil venceu a dúvida, o medo e o silêncio, e ensinou o Brasil a celebrar a vida em todas as suas cores e formas.

DEYVIDE PORTINALLY JORNALISTA
ESCRITO POR
DEYVIDE PORTINALLY JORNALISTA

Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

1530 artigos publicados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🔔

Quer receber as notícias em primeira mão?

Notificações das principais notícias de Sergipe direto no seu navegador — sem spam.