Itabaiana · domingo · 23 de agosto de 2026
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A Polícia Federal investiga se a varejista usou sistemas internos para omitir juros de vendas parceladas e reduzir bônus pagos a gerentes. Entre as ferramentas analisadas estão PRWEB e Looqbox.

A Polícia Federal investiga uma possível “maquiagem contábil” envolvendo a rede Casas Bahia. A apuração busca identificar se sistemas internos da varejista teriam sido usados para omitir juros de vendas parceladas dos relatórios de faturamento e, com isso, reduzir o valor dos bônus pagos a gerentes de lojas.

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Segundo a apuração, a suspeita envolve o sistema utilizado pela Casas Bahia para acompanhar o desempenho das lojas e definir as metas que servem de base para a remuneração variável dos funcionários. Entre as ferramentas analisadas pelos investigadores estão o PRWEB e o Looqbox, usadas para acompanhar resultados de áreas como mercadorias, móveis, serviços e crédito próprio.

A hipótese em exame é que esses sistemas apresentassem apenas o chamado “valor à vista” dos produtos, deixando de considerar juros e encargos cobrados nas compras parceladas. Na prática, se a hipótese for confirmada, o faturamento considerado para avaliar o desempenho das lojas ficaria abaixo do valor efetivamente movimentado nas vendas, o que poderia reduzir a base para cálculo das premiações dos gerentes.

Investigadores reúnem relatos de gerentes que afirmam não ter recebido integralmente os valores esperados em premiações. Segundo os relatos, funcionários que questionaram a empresa sobre os cálculos teriam recebido como justificativa que os juros cobrados nos carnês pertenciam a bancos parceiros e, por isso, não deveriam entrar no faturamento considerado para as metas.

Documentos obtidos pela Polícia Federal, incluindo ofícios do Banco Central e do Bradesco, indicariam que a própria Casas Bahia era responsável pelas operações de crédito relacionadas ao crediário por carnê e que a parceria com o banco não abrangia esse tipo de operação. Com base nesses documentos e nos depoimentos reunidos, a Polícia Federal investiga se houve fraude ou falsificação de informações utilizadas nos sistemas internos da companhia.

Os investigadores também avaliam se a prática, caso comprovada, teria ocorrido de forma mais ampla, já que as mesmas ferramentas eram utilizadas por lojas da rede em diferentes regiões do país. A apuração ainda está em andamento e a existência de investigação não significa que a empresa ou seus funcionários tenham sido considerados culpados; eventual responsabilização deverá ser estabelecida ao longo do processo.

O inquérito ocorre em meio à grave crise financeira da varejista. A Casas Bahia tentou renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e apresentou pedido de recuperação judicial. O plano de reestruturação anunciado prevê o fechamento de 298 lojas e a demissão de entre 1,9 mil e 3 mil funcionários. A companhia também obteve proteção temporária contra credores enquanto o pedido de recuperação judicial é analisado, e as demissões coletivas foram suspensas por decisão da Justiça do Trabalho.

A investigação seguirá com análise técnica dos sistemas e com a verificação da extensão dos eventuais impactos nos registros contábeis e na remuneração variável dos trabalhadores.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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