O El Niño que deve atingir o planeta pode ser o mais intenso já registrado desde o século 19, segundo o serviço meteorológico britânico. O órgão classificou o fenômeno como sem precedentes e alertou para risco de agravamento de eventos climáticos extremos em várias regiões do globo.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. Atualmente, a temperatura do oceano está cerca de 2°C acima do normal, condição considerada forte. As previsões, no entanto, indicam que o aquecimento pode ultrapassar 3°C ainda este ano.
De acordo com o serviço meteorológico britânico, os registros disponíveis desde 1950 não apontam para um aquecimento dessa intensidade. A expectativa apresentada é de que o episódio possa ser o mais forte desde o século 19, situação que elevou os alertas sobre impactos climáticos em diferentes continentes.
O El Niño pode intensificar eventos extremos em diversas partes do mundo. Entre os impactos previstos estão maior risco de seca e incêndios florestais na Austrália e no sudeste da Ásia, além da possibilidade de inundações no Peru, no Equador e no sul dos Estados Unidos. Essas projeções ressaltam a combinação entre variabilidade climática e tendências de aquecimento global.
No Brasil, a tendência indicada pela previsão é de redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste e aumento das precipitações no Sul. Especialistas em clima apontam que os padrões de chuva associados ao El Niño tendem a alterar a distribuição de precipitação, com consequências para agricultura, abastecimento de água e gestão de eventos extremos.
O serviço meteorológico britânico também alertou que é muito provável que 2027 seja o ano mais quente já registrado no planeta, caso as projeções de aquecimento global e do próprio El Niño se confirmem. Esse aviso coloca ênfase na necessidade de preparação e de medidas para mitigar riscos, especialmente em áreas vulneráveis a secas, incêndios e inundações.
As autoridades e setores afetados serão acompanhados para avaliar medidas de prevenção e resposta, enquanto as projeções continuam a ser atualizadas com novas observações do oceano e da atmosfera ao longo dos próximos meses.
