Acusado de retirar meio milhão de dólares da liga Grand Slam Track, criada em 2024, o tetracampeão olímpico falou ao Daily Telegraph. Johnson afirmou que o pagamento foi um reembolso e se defendeu das acusações.
Michael Johnson, tetracampeão olímpico e ícone do atletismo, está enfrentando uma situação delicada fora das pistas. O ex-atleta, que conquistou quatro medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Atlanta e Sydney, é acusado de desviar US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões) da Grand Slam Track, liga que ele fundou em 2024 e que envolve grandes nomes do esporte.
No último dia 8, Johnson concedeu uma entrevista ao “Daily Telegraph”, onde explicou sua versão sobre o pagamento que gerou a polêmica. Segundo ele, o valor foi um reembolso, e não uma apropriação indevida. Johnson afirmou que seu cartão de crédito atingiu o limite devido a problemas financeiros da liga, que envolviam a logística de 96 atletas e seus acompanhantes.
“O nosso cartão de crédito atingiu o limite no Grand Slam Track, pois enfrentávamos problemas expressivos de fluxo de caixa. Precisávamos acomodar 170 pessoas em hotéis e levar todos em um voo de Miami para a Filadélfia”, comentou. Ele continuou dizendo que teve que instruir sua equipe de viagens a usar seu cartão pessoal, prometendo reembolsar o valor posteriormente. “Portanto, o que recebi foi o reembolso. Emprestei dois milhões de dólares (cerca de dez milhões de reais) à empresa para garantir que cuidássemos dos atletas. Abri mão do meu próprio salário”, destacou.
Johnson, que já lidou com a pressão de competições, revelou que a situação com a Grand Slam Track trouxe um estresse sem precedentes. “Foi 10 de 10. Nas provas olímpicas de velocidade você precisa apresentar seu melhor desempenho em segundo, é uma chance a cada quatro anos. Mas esse foi o maior nível de estresse que enfrentei em muito tempo”, relatou. Ele mencionou noites sem dormir, se preocupando com a responsabilidade que tinha e com a confiança dos atletas na situação.
O Grand Slam Track, que começou com um capital de US$ 30 milhões (aproximadamente 180 milhões de reais), entrou com um pedido de recuperação judicial em Delaware. No processo, a liga informou ter menos de US$ 50 mil (cerca de R$ 300 mil) em caixa, com dívidas que variam entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões (de R$ 60 milhões a R$ 300 milhões) e entre 200 a 999 credores.

