Itabaiana · terça-feira · 13 de outubro de 2026
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Acordo de livre comércio entra em vigor hoje e deve diversificar destinos e reduzir dependência de grandes compradores. Especialistas destacam ganho estrutural: mais segurança jurídica e facilitação das exportações.

O Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e Singapura entra em vigor hoje e representa um importante passo na estratégia do Brasil para expandir o mercado da carne bovina e diminuir a dependência de grandes compradores, como a China. Apesar de Singapura ter um mercado consumidor menor, especialistas acreditam que o principal impacto do acordo será estrutural, proporcionando maior segurança jurídica para as exportações, facilitando o comércio e permitindo diversificação dos destinos da carne brasileira.

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Um dos principais benefícios para a carne bovina é a concessão de tarifa zero imediata para 100% das linhas tarifárias de Singapura. Isso significa que toda a carne bovina exportada pelo Brasil poderá entrar no mercado de Singapura sem a incidência de imposto de importação, aumentando a competitividade do produto brasileiro em relação a outros fornecedores internacionais.

Para aproveitar a preferência tarifária, os exportadores deverão seguir as regras de origem estipuladas no acordo. Será necessário comprovar que a carne cumpre os critérios estabelecidos entre Mercosul e Singapura, demonstrando que o produto foi totalmente obtido ou processado no Brasil. As orientações sobre classificação de mercadorias e procedimentos operacionais já estão disponíveis pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços por meio do Portal Siscomex.

Além da eliminação das tarifas, o acordo também estabelece critérios comuns para operações comerciais entre os países, amplia o acesso ao mercado de serviços, incentiva investimentos e inclui um capítulo específico sobre comércio eletrônico, sendo este o primeiro negociado pelo Mercosul com um parceiro extrarregional. O acordo já está em vigor no Paraguai desde fevereiro e no Uruguai desde março.

Embora Singapura não tenha um mercado do tamanho da China, o país se posiciona estrategicamente no comércio asiático. Como um importante centro financeiro e logístico, Singapura pode facilitar a presença da carne brasileira em outros mercados do Sudeste Asiático.

De acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista de mercado da Safras & Mercado, o acordo não apenas fortalece as exportações de carne bovina, mas também das demais proteínas animais do Brasil. Iglesias afirma que a redução das barreiras comerciais abrirá novas oportunidades para produtos brasileiros, contribuindo para a diversificação das exportações.

“Esse acordo vai ser muito útil para as exportações brasileiras de proteínas de origem animal, não só de carne bovina, mas para as demais, e pode facilitar o acesso a mais produtos no mercado. É um mercado importante, em expansão, que pode ajudar muito na diversificação das exportações brasileiras”, afirma Iglesias.

Geraldo Isoldi, analista da Terra Agro, avalia que os efeitos positivos do acordo ocorrerão de maneira gradual e não deverão impactar imediatamente os preços da carne bovina. Segundo ele, a ampliação do acesso ao mercado é significativa, mas não provocará mudanças instantâneas nos preços.

“Vai ampliar o acesso ao mercado, mas não vai interferir nos preços de imediato e muito menos de forma isolada. É uma mudança muito mais importante do ponto de vista estrutural”, diz Isoldi.

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que o Brasil exportou cerca de 25,3 mil toneladas de carne bovina para Singapura no ano passado, um volume considerável, embora inferior ao de exportações para a China, que alcançou aproximadamente 1,7 milhão de toneladas. Isoldi ressalta que a diversificação é fundamental para minimizar riscos e ampliar oportunidades, mas o impacto econômico será gradual e dependerá da abertura de vários mercados ao longo do tempo.

“Quanto mais a gente diversificar esse mercado com Singapura, com Coreia do Sul e outros países, melhor. Mas nenhuma dessas nações, isoladamente ou mesmo em conjunto, substitui a China. Essa é a realidade do mercado hoje”, afirma.

Rodrigo Costa, consultor de mercado, enfatiza que o maior benefício do acordo está na segurança jurídica, regras de origem mais claras e facilitação aduaneira, que potencializam a competitividade da carne bovina brasileira a longo prazo.

“O real benefício do acordo para a carne bovina está em três ganhos estruturais: segurança jurídica, regras de origem mais claras e facilitação aduaneira com potencial logístico”, afirma o consultor.

Antes do acordo, a tarifa zero poderia ser alterada unilateralmente pelo governo de Singapura. Com o novo tratado, esse benefício se torna um compromisso internacional, oferecendo maior previsibilidade para exportadores e investidores.

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